Sesc no centro só daqui 3 anos
Entidade tem permissão para usar quadra que era ocupada por São Vito, demolido há sete meses
Sete meses após demolir o quarteirão onde ficava o Edifício São Vito, também chamado de treme-treme, no centro da capital, a Prefeitura transferiu a área ontem para o Sesc, que pretende criar uma unidade ali. O novo prédio deve levar pelo menos três anos para ficar pronto. A construção faz parte do projeto de revitalização do Parque Dom Pedro II, lançado em maio, mas ainda sem data para ter as obras iniciadas.

O Sesc ainda deve esperar alguns meses para erguer sua nova unidade na Avenida do Estado devido a uma questão burocrática. Ontem, foi assinada a permissão de uso do terreno. Por garantia, porém, o Sesc aguarda um decreto de concessão de uso, que lhe transferiria a área, por meio de lei, por determinado período de tempo. Isso evitaria, por exemplo, que o próximo prefeito requisite o imóvel de volta.
O texto deve ser analisado pela Câmara Municipal no primeiro semestre de 2012. "A partir da aprovação da lei, calculo que em dois anos e meio o prédio estará pronto", afirmou o presidente do conselho regional do Sesc, Abram Szajman. A nova unidade ocupará 24 mil m² com clínica odontológica, restaurante, biblioteca, piscinas, ginásio poliesportivo e teatro.
Como contrapartida pelo terreno, segundo a Prefeitura, o Sesc deverá "oferecer gratuitamente 100 vagas para crianças de 7 a 12 anos no Projeto Curumim, promover jogos recreativos, manter a prestação de serviços odontológicos, realizar espetáculos artísticos, além de manter um ambiente com internet livre e com instrutores e equipamentos adequados".
Em um terreno vizinho, deve ser construída uma unidade do Senac, que fornecerá cursos profissionalizantes na área da gastronomia. A cessão do terreno ainda depende de negociações entre as partes e da demolição do Viaduto Diário Popular, também parte do projeto de revitalização do Parque Dom Pedro II. Antes de derrubar o elevado, no entanto, a Prefeitura pretende construir um pontilhão sobre o Rio Tamanduateí.
O projeto completo de reurbanização da área foi apresentado em 4 de maio. O plano está orçado em R$ 1,5 bilhão e prevê o enterramento de 1,7 km da Avenida do Estado, que ganharia dois túneis na região do Mercado Municipal. Três viadutos seriam demolidos, de acordo com a proposta, e o terminal de ônibus do Parque Dom Pedro seria realocado para um terreno ao lado da estação de Metrô.
Desta forma, seria possível ligar, por meio de um parque, o Mercadão, as novas unidades do Sesc e do Senac, o Espaço Catavento, a Casa das Retortas e os terminais de ônibus e metrô. A região da Rua 25 de Março receberia estacionamento e um centro de compras. Para o prefeito Gilberto Kassab (PSD), os trabalhos já estão em andamento. "Uma obra começa com seu projeto. O projeto está pronto. Agora vamos iniciar os preparativos. É possível que concluamos a licitação nessa gestão."
Quem passa hoje pela esquina das avenidas do Estado e Mercúrio vê apenas um terreno vazio. Até os tapumes que cercavam a área onde ficava o São Vito foram retirados. "É um projeto para ser implantado em cinco a oito anos", disse o prefeito.
Obras
A Prefeitura começou a demolir o quarteirão onde ficavam os edifícios São Vito, Mercúrio e outros 33 imóveis em junho de 2010
A demolição do São Vito foi feita manualmente e com máquinas pequenas porque a implosão do prédio poderia danificar os vitrais do Mercado Municipal, tombado pelo patrimônio histórico
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