Turista surta e atira cachorros de estimação pela janela do prédio
Mulher de 53 anos jogou os animais do décimo andar de um prédio no Guarujá
De férias no Guarujá, uma turista gaúcha de 53 anos teve um surto psicótico e, no final da madrugada desta quarta-feira, 11, atirou seus dois cachorros de estimação pela janela do décimo andar do apartamento onde estava hospedada, na praia de Pitangueiras. Os cães, um basset de 16 anos e um pinscher de 6, morreram na hora.
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Segundo os vizinhos, desde as 21h de terça-feira a mulher apresentava sinais de desequilíbrio. Eles notaram barulhos no apartamento da turista e chamaram a polícia quando perceberam que ela arremessava coisas pela janela.
Antes de jogar os animais, ela já havia atirado um colchão e eletrodomésticos, entre outros objetos, segundo o jornal A Tribuna, de Santos. Um homem foi atingido. Ele foi medicado, teve alta e não quis registrar ocorrência.
Soldados do Corpo de Bombeiros arrombaram a porta do apartamento para conseguir contê-la. A mulher, portadora de distúrbio bipolar, segundo parentes informaram aos investigadores, teve que ser sedada e permanecia no pronto-socorro até começo da tarde desta quarta-feira. A família da gaúcha está a caminho do Guarujá para prestar assistência.
Transtorno bipolar. Segundo Daniel de Barros, psiquiatra do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas e blogueiro do Estadão.com.br, o transtorno afetivo bipolar é um diagnóstico psiquiátrico cuja principal característica é a alternância entre períodos sem sintomas seguidos de fases depressivas e fases eufóricas.
"Não se trata apenas de momentos de tristeza e momentos de alegria, mas de um tempo relativamente longo de alterações do humor intensas, como exagerada tristeza ou alegria fora do controle", explica o psiquiatra. "Quando as fases se tornam muito extremas, a pessoa pode perder o contato com a realidade, quando então se diz que ela está psicótica. Nesses casos pode haver a presença de alucinações - como ouvir vozes, ver vultos etc - e delírios, que são ideias totalmente fora da realidade mas das quais os pacientes têm certeza absoluta. Por vezes, em razão desses delírios, o comportamento fica desorganizado e algumas atitudes incompreensíveis podem ocorrer."
Vida normal. O psiquiatra ressalta que, caso o comportamento da turista tenha sido motivado realmente pela doença, a pessoa não pode ser considerada responsável por seus atos. "Mais do que tudo, é importante destacar que o transtorno bipolar tem tratamento, e que a pessoa pode ter uma vida normal se fizer acompanhamento regular. E embora eventos lamentáveis como esse possam ocorrer, a imensa maioria dos pacientes nunca comete crimes ou atos violentos."
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