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Zeca Pagodinho ajuda moradores da região afetada pelas chuvas no RJ

Cantor, que tem um sítio em Xerém, disse que, no alto no distrito, há pessoas soterradas

03 de janeiro de 2013 | 14h 13
Antonio Pita - O Estado de S. Paulo

RIO - O cantor Zeca Pagodinho, que possui um sítio na região de Xerém há 20 anos, percorreu alguns bairros do distrito e ofereceu ajuda aos moradores vitimados pelas chuvas que assolaram o Rio de Janeiro na madrugada desta quinta-feira, 3. Segundo ele, no alto do distrito, ainda há casas e pessoas soterradas. A Secretaria estadual de Defesa Civil informou que há uma pessoa morta, 3 ferias e mais 250 desalojadas, num balanço feito pelas cidades afetadas pela tragédia: Duque de Caxias, Angra dos Reis, Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo.

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Chuvas já deixeram 1 pessoa morta e outras 3 feridas, segundo a Secretaria estadual de Defesa Civil - Wilton Junior/AE
Wilton Junior/AE
Chuvas já deixeram 1 pessoa morta e outras 3 feridas, segundo a Secretaria estadual de Defesa Civil

Em meio ao desespero durante a enxurrada, os moradores se uniram para tentar salvar parentes e amigos levados pela correnteza. Com cordas e boias improvisadas, os homens se arriscaram para retirar crianças e mulheres que tentavam atravessar as ruas tomadas pela correnteza.

"A preocupação era só salvar as vidas. Resgatei uma criança que pediu ‘tio, por favor, eu não quero morrer’. Pensei no meu filho e quis chorar, mas prometi a ela que nada lhe aconteceria", disse o morador Alcimar Belieni, de 34 anos, ainda coberto de lama após passar a madrugada ajudando os vizinhos.

Em alguns pontos, a lama chegou a mais de três metros de altura e tomou casas inteiras. A região está sem luz e sem sinal de telefone. Com parte da casa destruída e lama na altura de dois metros dentro de sua casa, o comerciante Robério Cavalcante, de 34 anos, não sabia por onde recomeçar.

"Só deu tempo de tirar meus filhos e minha mulher. Quando sai com o carro, vi o muro desabar e a enxurrada arrastar outros carros. Só perdemos coisas materiais, vamos reconstruir tudo. Mas é difícil ver a casa que você suou tanto para construir dessa forma", lamentou.

Pela manhã, o prefeito Alexandre Cardoso percorreu os bairros mais atingidos e decretou estado de emergência na região. A chuva teve início à meia-noite, mas por volta das 2h se intensificou e o nível dos rios Saracuruna, Inhomirim e Capivari começou a subir rapidamente. O fenômeno, conhecido como tromba d’água, arrastou árvores, eletrodomésticos e carros.

Os entulhos trazidos pela água formaram uma represa no leito do rio Capivari e a força das águas sem vazão ocasionou a derrubada de casas e árvores. Uma ponte foi destruída e outras duas foram interditadas com risco de desabamento.

"Acordei com um forte estrondo e depois ouvi os gritos dos vizinhos, que passavam avisando da enxurrada. Só deu tempo de descer as escadas antes de desabar", contou a dona de casa Osana Ferreira, de 41 anos. "O pior é ver amigos, conhecidos morrendo e não poder fazer nada. Vi uma família inteira em cima de uma laje que desabou", contou a moradora do bairro de Pedreira, um dos mais atingidos pelos estragos.

A chuva só deu uma trégua aos moradores por volta das 8h, mas a correnteza dos rios continuou forte durante toda a manhã. A Defesa Civil e o Corpo de bombeiros interditaram diversas casas embaixo de morros com risco de desabamentos. Ruas inteiras próximas ao leito dos rios foram bloqueadas, pois o asfalto ameaça ceder. Máquinas tentam retirar os entulhos para desobstruir o leito dos rios e dar mais vazão à água.




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