Zona oeste do Rio cresce e zona sul perde moradores, revela Censo

Foco de obras de infra-estrutura e de instalações para Olimpíadas, zona oeste atraiu 278 mil pessoas

Luciana Nunes Leal, Felipe Werneck e Daniel Lima, estadão.com.br

01 Julho 2011 | 10h00

RIO - Em uma década, bairros da zona oeste do Rio cresceram até 150% e áreas da zona sul da capital perderam moradores, revelam dados do Censo 2010 divulgados hoje pelo IBGE. Principal foco de obras de infra-estrutura de transportes e de instalações esportivas para a Olimpíada de 2016, a região concentra os nove bairros com maior crescimento absoluto de 2000 a 2010: juntos, receberam 278 mil moradores.

 

Os bairros de Camorim, Vargem Pequena e Recreio dos Bandeirantes mais que dobraram a população neste período, com aumentos de 150%, 136% e 118%, respectivamente. A taxa de crescimento da cidade foi de 7,9% na década. A população do Rio é de 6,4 milhões de habitantes. Dados fornecidos pela Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi) mostram que 68,5% de todas as unidades habitacionais lançadas na cidade entre 2005 e 2010 estavam concentradas em quatro bairros da zona oeste: Barra da Tijuca, Jacarepaguá, Recreio e Campo Grande.

 

"Mais uma vez, esse crescimento se dá de forma desordenada, em função do mercado imobiliário", diz o arquiteto e urbanista Nireu Cavalcanti, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF). Para o pesquisador, o crescimento em direção à zona oeste é natural, em função da oferta de espaços livres, mas a falta de planejamento urbano na região é preocupante. Ele cita carência de transporte público eficiente e infra-estrutura precária, especialmente em relação ao saneamento.

 

Dos dez bairros cariocas mais populosos em 2010, sete ficam na zona oeste: Campo Grande (328,3 mil), Bangu (243,1 mil), Santa Cruz (217,3 mil), Realengo (180,1 mil), Jacarepaguá (157,3 mil), Barra da Tijuca (135,9mil) e Guaratiba (110 mil). Completam a lista: Tijuca (163,8 mil), na zona norte, Copacabana (146,3), na zona sul, e Maré (129,7 mil), na zona norte. A Barra da Tijuca, bairro da zona oeste que começou a atrair grandes investimentos imobiliários na década de 70, continua ganhando moradores: cresceu 47% entre 2000 e 2010.

O Censo 2010 também mostra que estão na zona oeste os locais com maior concentração de domicílios vazios. Em Camorim, bairro que aumentou a população de 786 para 1.970 habitantes, 41% dos domicílios não tinham moradores no período do Censo. Em Pedra de Guaratiba, uma em cada cinco moradias estava vazia. Barra de Guaratiba e Vargem Pequena tinham 16% de domicílios sem moradores.

 

No caminho contrário, alguns bairros da zona sul perderam moradores da última década. Humaitá tinha em 2010 uma população 12,5% menor que em 2000. Houve redução também em Ipanema (-8,7%), Gávea (-8,4%), Jardim Botânico (-7,9%) e Flamengo (-6%). Laranjeiras, Leblon e Copacabana tiveram pequena redução. Outros bairros da zona sul apresentaram aumento de população entre 2000 e 2010, como Lagoa (13,5%), Catete (10%) e Botafogo (5,9%).

O Centro do Rio, após décadas de esvaziamento, teve aumento de 5% na população residente. É um ritmo bem menor que o do Centro de São Paulo, que cresceu três vezes mais: 15,4%. Entre 2000 e 2010, o Rio de Janeiro ganhou dois novos bairros: Vasco da Gama, com 15,4 mil habitantes e Gericinó, com 15,1 mil. Com isso, a cidade chegou a 160 bairros.

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