90 milhões podem cair em pobreza extrema, diz Banco Mundial
Comitê da entidade alerta para necessidade de países evitarem medidas protecionistas até o final da crise
Cerca de 90 milhões de pessoas em países em desenvolvimento correm o risco de entrar em um nível de pobreza extrema como resultado da crise econômica global, disse o comitê de desenvolvimento do Banco Mundial nesta segunda-feira. 5.
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O comitê acrescentou que os membros do Banco Mundial devem seguir seu compromisso de aumentar a ajuda e sua eficácia e de evitar as medidas protecionistas. O comitê pediu que um estudo sobre a necessidade de aumento de capital pelo Banco Mundial seja concluído no segundo trimestre de 2010.
A revisão deve levar em conta a possibilidade de usar capital híbrido para ampliar o balanço patrimonial do Banco Mundial e destacar que parte do capital novo deve vir de países que ganharão poder com as reformas de governança planejadas, disse o comitê.
Alinhado com a preocupação do Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional (FMI) também disse que está comprometido em "manter apoio fiscal e monetário e políticas financeiras até que a recuperação da economia mundial esteja assegurada. A instituição também se disse pronta a agir "para reviver o crédito, recuperar empregos perdidos e reverter retrocessos na redução da pobreza".
E para a Organização das Nações Unidas (ONU), o crescente nível de pobreza no mundo é um alerta para aqueles que acham que a recuperação é iminente. Em discurso na Assembleia Geral da entidade no último mês, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, abordou o problema da pobreza que, devido à recessão econômica, fez com que este ano haja 100 milhões a mais de pobres, por isso considerou que, "em vez de brotos de recuperação, o que há são bandeiras vermelhas de perigo". Ki-moon disse que, embora os mercados comecem a mostrar sinais de recuperação, não ocorre o mesmo com o nível de renda e os postos de trabalho.
O secretário-geral da ONU também antecipou que, em 23 de setembro de 2010, convocará uma cúpula especial sobre os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), quando só restarem cinco anos para chegar, sem um previsível êxito, à data fixada para reduzir a pobreza no mundo pela metade.
Brasil
A crise econômica pegou o Brasil no auge do ciclo de avanços sociais, apontou a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2008, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no mês passado. O levantamento revela que ocorreu, no ano passado, a maior redução na diferença entre ricos e pobres no Brasil desde 1990. Porém, o Brasil ainda está muito atrás de outros países no Índice de Gini - que varia de zero a 1 e indica maior desigualdade quanto mais aumenta . O Gini da Rússia, por exemplo, é 0,399; o da China, 0,469; e o da Índia, 0,368.
(Com Dow Jones, Efe e AP)
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