Alencar culpa política monetária por queda na indústria
Segundo o IBGE, produção industrial em novembro registrou uma queda de 5,2% em relação a outubro
O vice-presidente José Alencar responsabilizou a política monetária do Banco Central pela retração na produção industrial e no nível de emprego. "A política monetária é restritiva e desencoraja investimentos na indústria", afirmou. De acordo com dados divulgados pelo IBGE, a produção industrial em novembro registrou uma queda de 5,2% em relação a outubro. Veja também: De olho nos sintomas da crise econômica Dicionário da crise Lições de 29 Como o mundo reage à crise
Alencar voltou a criticar o elevado patamar dos juros no Brasil e utilizou uma expressão que, segundo ele, era usada por seu pai para se referir a tragédia: "Os juros no Brasil são uma tribusana". Ele classificou como um equívoco a manutenção da taxa Selic em 13,75% ao ano. De acordo com suas informações, a Selic corresponde hoje a um juro real de 8%, o que "é mais de dez vezes superior à taxa básica média real do mundo.
José Alencar disse que não tem nada contra o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e nem contra o Comitê de Política Monetária (Copom). "Pensam que ele (Meirelles) foi o responsável pelo fim da inflação. O Brasil vai bem, apesar da política monetária. Não é graças à política monetária. Porque esta política monetária vai levar em 8 anos R$ 1,2 trilhão (em seu cálculo para o pagamento de juros com rolagem da dívida). Isso é um absurdo. Para combater a crise, é preciso investimentos maciços em infraestrutura, transporte, energia, saúde, saneamento básico e educação. Se o Estado fizer tudo isso, nós espantamos a crise", disse. Insistiu que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) é prioridade absoluta. Lembrou que a crise é contagiante e que é preciso combatê-la. "Se começa a falar em crise, crise, crise, acaba abraçando a crise e deixando que ela chegue".
Ao ser questionado sobre desemprego, Alencar disse: "Estamos pregando que a crise internacional não é nossa e não temos nada com ela, porque não contribuímos para ela. Mas o mundo é globalizado e ela (a crise) atinge todos nós. Nossa grande preocupação é o desemprego que ela pode trazer. Não tem coisa mais complicada do que um pai de família chegar em casa e dizer que perdeu o emprego. Temos de consumir, que produzir".
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