12:18


15 de Abril de 2010

 

Patrocinado por




Você está em Economia
Início do conteúdo

Argentina compra 20 aviões da Embraer com ajuda do BNDES

Aeronaves serão usadas em voos domésticos da subsidiária da Aerolíneas Argentinas, reestatizada em 2008

22 de maio de 2009 | 3h 45
Ariel Palacios, de O Estado de S. Paulo

A presidente Cristina Kirchner anunciou nesta quinta-feira, 21, a assinatura do acordo de compra de 20 aviões da Embraer. Os aparelhos serão destinados à companhia aérea Austral, subsidiária da Aerolíneas Argentinas, reestatizada em dezembro de 2008. As duas empresas argentinas - cujos atuais aparelhos são definidos por especialistas como "sucatas voadoras" - não compram aviões novos desde 1992.

Cabine de comando da aeronave Embraer 190 - Sergio Dutti/AE
Sergio Dutti/AE
Cabine de comando da aeronave Embraer 190

No ano passado, Cristina anunciou com toda pompa a reestatização das históricas Aerolíneas e Austral e sua intenção de "revitalizá-las", com a aquisição de novos aviões.

Além da compra de aviões da Embraer, a presidente celebrou a assinatura de um entendimento entre a empresa e o governo argentino para apoio ao desenvolvimento e capacitação tecnológica da Área Material Córdoba (AMC), a ex-Fábrica Militar de Aviões argentina, em processo de reestatização. O plano é que a AMC forneça serviços e peças para a Embraer.

A cerimônia foi realizada na Casa Rosada, o palácio presidencial, onde também esteve o vice-presidente executivo para o mercado de aviação comercial, Mauro Kern. "Temos muito orgulho de estrear nossos E-Jets na Argentina e de participar na renovação da frota dessa companhia aérea de renome internacional", disse Kern. "Esperamos estabelecer um relacionamento de longo prazo com essa importante empresa aérea."

Segundo o governo argentino, a compra será financiada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). De acordo com as autoridades argentinas, o custo total seria de US$ 700 milhões. Desse total, 85% - US$ 595 milhões - seriam financiados pelo BNDES por 12 anos, com juros anuais de 8%. Os 15% restantes do valor a pagar serão desembolsados pela Aerolíneas ou pelo Tesouro Nacional, na hora da entrega dos aviões.

Os 20 aviões que a Argentina comprou são os Embraer 190, para 96 passageiros (mas podem ser ampliados até 114 poltronas). Esses aviões - que permitirão uma economia de 30% de combustível comparados com os velhos aparelhos da Aerolíneas e da Austral - serão destinados a voos domésticos e regionais. Nunca antes, em seus mais de 50 anos de história, a Aerolíneas havia feito uma compra de tal magnitude.

Segundo as autoridades argentinas, os primeiros aparelhos chegarão à Argentina em fevereiro do ano que vem. A Austral vai receber dois aviões por mês. "A ideia é que todos os aviões sejam entregues até 2010", disse o secretário dos Transportes, Ricardo Jaime.

Em comunicado, a Embraer informou que o contrato foi "fechado", mas só "será efetivado após o cumprimento de certos requisitos, o que deverá ocorrer em dois meses".

"O mais grande"

Na Argentina, existe o mito de que os brasileiros referem-se ao país, à cultura, ao futebol e aos produtos brasileiros como "os mais grandes do mundo". A frase é pronunciada em Buenos Aires como "o mais grandgi dú múndô", com o erro gramatical, em vez da correta "o maior do mundo". Ontem à noite, Cristina citou a frase, e além disso enfatizou: "Acho fantástico o orgulho dos brasileiros, que se referem assim: ´mais grande do mundo´! Isso mostra o orgulho que eles têm".

Cristina Kirchner é uma declarada admiradora da Embraer. A empresa brasileira foi a única citada no discurso de seu comício de lançamento de candidatura à presidência, em julho de 2007. Na ocasião - e em outras oportunidades, incluindo o discurso de posse -, a presidente argentina destacou a Embraer como "modelo a seguir".

Além disso, declarou seu interesse em um acordo entre a Embraer e a AMC. Cristina revelou, várias vezes, que gostaria que a AMC produzisse peças para aviões da Embraer. No ano passado, disse que sonha com um projeto de produção conjunta de aviões entre a AMC e a empresa brasileira.

A fábrica - estatal desde a fundação, em 1927 (a primeira a ser inaugurada na América Latina) - foi privatizada nos anos 90, no governo do ex-presidente Carlos Menem. A empresa, administrada pela Lockheed Martin, reduziu bastante a atividade na última década. Há dois anos, o governo argentino decidiu não renovar o contrato com a Lockheed e reestatizar a AMC.


Tópicos: Argentina, Embraer, BNDES
Siga o @EstadaoEconomia no Twitter