12:18


15 de Abril de 2010

 

Patrocinado por




Você está em Economia
Início do conteúdo

Bernanke diz que medidas agressivas evitam 2ª Grande Depressão

Presidente do FED pede mais ações dos congressistas americanos para combater a crise financeira

27 de julho de 2009 | 13h 33
Clarissa Mangueira, da Agência Estado

O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), Ben Bernanke, defendeu na noite deste domingo, 26, as agressivas medidas de política monetária adotadas ao longo do último ano, falando diretamente à classe média dos EUA. "Não serei o presidente do Federal Reserve da segunda Grande Depressão", disse Bernanke, durante um evento na prefeitura de Kansas City, transmitido pela rede pública de tevê PBS e moderado pelo apresentador Jim Lehrer.

Bernanke comparou as políticas do Fed - incluindo as taxas de juro perto de zero e a criação de um grande pacote de programas de crédito - a "colocar o pé no acelerador". Mas ele salientou que, uma vez que a economia se estabilize, o Fed terá de desativar gradualmente seus programas e "deixar a economia fazer o que se espera que ela faça."

Bernanke descreveu vividamente a indignação que sentiu ao ter de resgatar grandes instituições financeiras que fizeram apostas arriscadas. Essas medidas, disse, não se destinavam a ajudar tais instituições, mas estavam ligadas à economia como um todo, tendo em vista a repercussão das falências no sistema financeiro.

O presidente do Fed pediu que os congressistas apresentem um mecanismo melhor para resolver o problema das instituições muito grandes que se encontrem à beira da falência, a fim de estabelecer um equilíbrio entre o socorro do governo e o pedido de concordata.

Perspectivas

Embora não possam eliminar totalmente as crises financeiras, os formuladores de políticas públicas podem evitar que os EUA enfrentem novamente uma crise tão severa como a atual, acrescentou Bernanke. Ele sinalizou que a economia americana deverá parar de se contrair no segundo semestre, mas deve ter crescimento de cerca de apenas 1%, em base anual, durante esse período.

Segundo o presidente do Fed, para que a taxa de desemprego se mantenha estável, o crescimento do PIB deve ser de 2,5%, e por isso o mercado de trabalho provavelmente não vai se estabilizar até o início do próximo ano. Enquanto isso, cerca de 2,8 milhões de hipotecas deverão ser executadas, acrescentou.

Bernanke manteve-se otimista, porém, sobre as perspectivas para a economia no longo prazo, dizendo que "essa economia não pode ser mantida em queda". Ele observou ainda que os bancos se estabilizaram e que o mercado acionário apresentou forte alta nas últimas semanas.

A inflação, disse, deverá ficar bastante baixa nos próximos dois anos, dado o enfraquecimento da economia global. Bernanke também afirmou que a melhor maneira de garantir um dólar forte é ter uma economia vibrante.



Siga o @EstadaoEconomia no Twitter