terça-feira, 6 de janeiro de 2009, 12:48 | Online
Brasil abre emissão de bônus global de 10 anos
Depois de um jejum de 8 meses, governo faz captação externa. A venda de títulos deve ser de US$ 1 bilhão
Reuters
Em nota, o Tesouro Nacional informou apenas ter concedido mandato para a emissão de títulos denominados em dólares com vencimento em janeiro de 2019 nos mercados norte-americano e europeu, e que pode estender a operação para a Ásia. De acordo com uma fonte, os bancos contratados para a operação foram Goldman Sachs e Merrill Lynch.
Refletindo o bom humor com o anúncio da emissão, o papel com maior liquidez do Brasil, o Global 40, está sendo negociado em alta. O último negócio fechado pela corretora Arkhe até às 12h45 (de Brasília) com o Global 40 saiu a 131 cents. Um pouco mais cedo, o papel havia sido negociado em alta maior, a 131,30 cents. Ontem o Global 40 fechou em 130,90 cents.
Além do Brasil, também a Colômbia está aproveitando a janela de oportunidade. O governo colombiano esta manhã que venderá bônus denominados em dólares com vencimento em 18 de março de 2019. De acordo com dois investidores que tiveram acesso aos termos, a transação pode chegar a até US$ 1 bilhão. A oferta deverá ser precificada ainda hoje, no final do dia, segundo uma fonte.
Jejum
A última emissão soberana do Brasil foi feita em maio do ano passado, com a captação de US$ 525 milhões na reabertura do Global 2017. Naquele momento, antes da piora da crise global com o colapso do Lehman Brothers, os papéis foram vendidos com spread de 140 pontos-básicos sobre os Treasuries (títulos da dívida americana) de prazo semelhante, garantindo rendimento (yield) de 5,299%.
Anteriormente, o País havia vendido bônus com vencimento em 2019 no primeiro semestre de 2005.
Boa demanda
O economista-chefe da Bradesco Corretora, Dalton Gardimam, afirmou que deve ser boa a demanda de investidores pelos bônus do Brasil e da Colômbia lançados nesta terça. "Acredito que o Brasil fez uma leitura eficiente e não deverá faltar demanda. Além disso, no atual cenário não se pode desprezar uma emissão. O título soberano de países solventes é uma opção extremamente interessante do ponto de visa da diversificação de portfólio", afirmou.
Os emergentes estão aproveitando uma janela de oportunidade que surgiu após a forte turbulência do mercado financeiro em 2008. Gardimam explica que as pré-condições já estavam dadas: uma delas é o efeito-calendário, as emissões já estavam agendadas e os países apenas esperaram o momento de realizá-las. "Após um ano como 2008, de muita turbulência e falta de liquidez, é natural que os países aproveitem a primeira oportunidade que surgiu. Se tivermos um ano difícil pela frente os países emissores têm que cumprir o balanço de pagamentos do mesmo jeito", comentou.
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Bônus global,
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US$ 1 bilhão
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