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Brasil busca acordo com Índia e países africanos na OMC
Iniciativa para liberalizar comércio entre emergentes também visa pressionar países ricos por impasse em Doha
Depois de uma década apostando na conclusão das negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC), o Brasil decide buscar uma nova estratégia e lança a ideia do estabelecimento do maior bloco comercial e político do Hemisfério Sul. O plano, que foi revelado ao Estado será oficializado segunda-feira (30) em Genebra, visa iniciar a liberalização dos mercados entre o Mercosul, Índia e os países do Sul do continente africano.

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A iniciativa também servirá como um recado político aos países ricos, já que os obstáculos para a conclusão da Rodada Doha seriam a falta de vontade política do governo americano e europeu de ampliar suas concessões no setor agrícola.
Sem uma perspectiva para a Rodada, lançada em 2001, a nova iniciativa servirá para cortar tarifas entre os produtos comercializados entre os três blocos e ainda estabelecer um acordo de investimentos entre os países. O grupo ainda servirá para coordenar posições políticas em fóruns multilaterais.
Dados oficiais da OMC indicam que o comércio entre países emergentes já chega a US$ 2,7 trilhões por ano e que representa quase metade de tudo o que essas economias hoje vendem ao exterior. Grande parte, porém, vem da China que não faz parte do novo tratado.
O Mercosul já conta com um acordo com a Índia, mas com um número ainda limitado de produtos que podem ser comercializados a tarifas mais baixas. Hoje, em Genebra, ativistas indianos acusavam os produtos brasileiros no setor agrícola de estar gerando prejuízos ao país.
Agora, a ideia é a de ampliar o acordo entre os três continentes, reunindo também os membros da União Aduaneira da África Austral (África do Sul, Botsuana, Lesoto, Suazilândia e Namíbia). Mas fontes sul-africanas admitem que não há ainda sequer uma data para a conclusão do acordo.
Esse não é o único projeto de liberalização que o Brasil espera concluir nos próximos dias. Na quarta-feira, cerca de 20 países emergentes estabelecerão uma base para o corte de 20% em suas tarifas. Chile, México, Colômbia, Venezuela, África do Sul, Tailândia, China e vários outros não farão parte da iniciativa.
Se o impacto comercial do acordo é limitado, a esperança do Brasil é de que o sinal político seja claro de que está na hora de seguir com tratados comerciais, mesmo sem a presença dos países ricos.
Para 2010, o Brasil também busca uma reaproximação à Europa em um acordo bilateral entre o Mercosul e a UE que estava no congelador desde 2004. Mariann Fischer Boel, comissária Agrícola da UE, indicou ao Estado que Bruxelas dificilmente abriria seu mercado ao Mercosul sem antes saber o que ocorrerá na OMC.
Nos projetos brasileiros, há pelo menos um grande ausente: a China. O país deve terminar o ano como o maior exportador do mundo e optou por ficar de fora dos projetos de liberalização com outros países emergentes. "Não vamos fazer parte dessa iniciativa", afirmou Sun Zhenyu, embaixador da China na OMC.
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