Brics negociam com FMI emissão de título de curto prazo
Os países dos Brics (bloco econômico formado por Brasil, Rússia, Índia e China) discutiram hoje, na sede do Fundo Monetário Internacional (FMI), a possibilidade de que haja o lançamento de um título emitido pelo Fundo que seria utilizado como ferramenta para que os países emergentes possam injetar recursos no organismo, de forma diferente da que está sendo feita pelos países avançados, informou hoje o ministro da Fazenda, Guido Mantega. "O título teria um rendimento, sendo alternativa a outras aplicações, e o aporte seria provisório para que não substitua uma reforma do Fundo", acrescentou. Para isso, Mantega avalia que o título "não poderia ter prazo longo".
Depois da reforma do FMI, ponderou Mantega, o aporte feito pelos países será por "aporte de capital". Por enquanto, diz o ministro, os Brics "ainda não estão prontos para anunciar valores". "Só faremos algum anúncio de valores depois (de aprovada) a proposta que o Fundo está elaborando, que é um título." Mantega explicou que o corpo de diretores do FMI é que fará a aprovação do novo mecanismo.
Para o ministro, o mecanismo estudado - no caso, o título do FMI - teria de ter condições como ser provisório, ser contabilizado como reservas para que "países possam utilizar o recurso caso seja necessário", e tenha regras que favoreçam os emergentes. "Portanto, temos de participar das decisões sobre as regras."
Segundo o ministro, o esboço existente "não satisfaz". Mantega afirmou que o FMI está estudando duas classes de títulos. O papel de classe A teria as condições que os emergentes querem, ou seja, um título provisório de prazo de vencimento em torno de um ano. O de classe B seria de "mais longa duração". O ministro avalia que, sendo de duração mais curta, o papel permitira que os países sacassem os recursos rapidamente em caso de necessidade, por meio da venda dos títulos. Para isso, é preciso que o papel "possa ser negociado no mercado, comprado e vendido".
O título que deverá ser emitido pelo FMI para que os países emergentes possam injetar recursos no Fundo ainda não tem moeda definida, "provavelmente em dólares ou nas quatro moedas que conformam os Direitos Especiais de Saque (DES)", que são dólar, euro, libra esterlina, iene, avaliou o ministro Mantega.
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