Brown cita críticas de Lula em entrevista com Obama
Premiê britânico e presidente americano minimizaram críticas sobre divisão de países no G20

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, citou uma crítica do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, nesta quarta-feira durante entrevista coletiva ao lado do presidente americano, Barack Obama.
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Os dois líderes encontraram-se separadamente um dia antes da cúpula do G20, em Londres, que discutirá soluções para a crise financeira global.
Obama falava aos jornalistas sobre a necessidade de se buscar soluções em vez de apontar culpados pela crise. Ao falar sobre o tema, Brown citou uma crítica que ouviu do presidente brasileiro.
"Eu estive na semana passada no Brasil e eu acho que o presidente Lula vai me perdoar por citá-lo. Ele me disse: 'Quando eu era sindicalista, eu culpava o governo. Quando eu era da oposição, eu culpava o governo. Quando eu virei governo, eu culpei a Europa e os Estados Unidos'", disse Brown, arrancando sorrisos de Obama.
"Ele [Lula] reconhece, como nós reconhecemos, que este é um problema global. É um problema global que exige uma solução global."
"O que aconteceu essencialmente é que a mobilidade do capital financeiro internacional superou os mecanismos nacionais de regulação. E se nós não aceitarmos isso como o problema, nós não vamos ajudar a resolver a crise esta semana", disse o premiê britânico.
Divisão no G20
Obama minimizou as críticas de que o G20 estaria dividido. De um lado, estariam Estados Unidos e Grã-Bretanha, exigindo mais pacotes de incentivo ao crescimento. Do outro, estaria um bloco liderado por França e Alemanha, que rejeita esse tipo de medida e cobra mais regulação do sistema financeiro.
"A verdade é que isso é só uma discussão marginal. A ideia principal de que o governo precisa tomar medidas para lidar com um mercado global em retração e que nós deveríamos promover o crescimento, isto não está sendo discutido", disse Obama.
"Sobre regulação, essa ideia de que de há pessoas exigindo mais regulação e outros que estão resistindo à regulação, [isso] é negado pelos fatos. [O secretário do Tesouro americano] Tim Geithner, que está sentado aqui hoje, foi ao Congresso e propôs um grupo de medidas de regulação como qualquer uma que surgiu entre os países do G20. Isso foi antes de nós virmos."
Brown também minimizou as ameaças feitas pelo presidente francês Nicolas Sarkozy de que poderia abandonar o encontro do G20, caso as exigências francesas por mais regulação do sistema financeiro não fossem ouvidas.
"Eu tenho certeza que o presidente Sarkozy estará na janta amanhã (quinta-feira) à noite, ao fim da reunião", disse Brown.
Obama também criticou o protecionismo e disse que os mercados emergentes precisam de maior apoio internacional para crescer.
"Nós temos que rejeitar o protecionismo e acelerar nossos esforços para apoiar os mercados emergentes, e nós temos que montar uma estrutura que possa sustentar nossa cooperação nos próximos meses e anos."
Os líderes dos países do G20 estão chegando a Londres. Na noite desta quarta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega à capital britânica, após uma visita à Paris. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.
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