terça-feira, 6 de janeiro de 2009, 14:43 | Online

Crise do gás se agrava na UE e presidente fala em reunião

Segundo Mirek Topolanek, presidente temporário do bloco, União Europeia já cogita cúpula sobre o tema

Marcílio Souza e Danielle Chaves, da Agência Estado

KIEV - A crise no fornecimento de gás na Europa gerada por um impasse nas negociações sobre os preços da commodity entre Ucrânia e Rússia continua se agravando. Nesta terça-feira, 6, o ministro da Indústria e Comércio da República Checa, Martin Riman, afirmou que a situação "mudou dramaticamente" durante a madrugada e "está piorando". "A quantidade de gás transportado da Rússia para a Ucrânia diminuiu e a situação na fronteira da Eslováquia está piorando", disse ele.

 

O grupo francês de energia GDF Suez informou nesta terça-feira que o abastecimento de gás da Rússia que passa pela Ucrânia caiu 70% na França, mas a companhia garante o fornecimento do insumo aos seus consumidores. A italiana Eni, por sua vez, informou redução de cerca de 90% na entrega de gás russo para a Itália.

 

O ministério de Economia e Energia da Bulgária, por sua vez, afirmou que a oferta de gás da Rússia para a Bulgária, Grécia, Macedônia e Turquia foi interrompida durante a noite. "As entregas de gás natural na fronteira entre a Bulgária e a Romênia para a Bulgargaz, destinadas ao mercado búlgaro e para trânsito para a Grécia, Turquia e Macedônia, foram paralisadas às 3h30 (23h30 de Brasília)", disse o ministério em comunicado.

 

A operadora de gás da Croácia, a Plinacro, disse que o fornecimento ao país está paralisado desde 2h (de Brasília). A RWE Transgas, que atua na República Checa, afirmou que a oferta do combustível ao país caiu dramaticamente e deve ficar hoje em apenas um terço do nível normal.

 

Em meio ao impasse, a estatal de gás russa Gazprom afirmou que não é capaz de compensar totalmente um bloqueio da Ucrânia a três importantes gasodutos que transportam gás para países da Europa Ocidental e dos Bálcãs, afirmou o vice-presidente da companhia, Alexander Medvedev, em uma coletiva de imprensa em Berlim.

 

Medvedev acusou a Ucrânia de bloquear os três gasodutos, o que ele classificou como um movimento "sem precedentes" e "unilateral". O executivo afirmou que a Gazprom pretende esgotar os gasodutos não afetados e a capacidade de armazenagem. "Mas nós não temos a opção de compensar o volume de gás que foi roubado", observou. Medvedev reconheceu que a situação nos Bálcãs é particularmente tensa.

 

Reunião

 

O ministério búlgaro convocou uma reunião emergencial para enfrentar a questão e também pediu a todos os consumidores de gás do país que "limitem seu consumo ao mínimo e utilizem fontes de energia alternativas quando possível".

 

Além disso, a República Checa, que atualmente detém a presidência da União Europeia, não descarta promover uma reunião de cúpula entre membros do bloco, a Rússia e Ucrânia para discutir o assunto, disse o primeiro-ministro checo, Mirek Topolanek.

 

"Falamos com (o chefe da Comissão Europeia, José Manuel) Barroso, sobre uma opção extrema, que seria uma reunião de cúpula", disse Topolanek em conferência em Praga. "As negociações devem ocorrer no escalão mais alto, talvez entre a presidência da UE e chefes dos dois países", disse ele. "Se a situação permanecer como está, essa é uma das opções que vamos preparar."

 

O governo italiano, por sua vez, diz ter assinado um acordo de emergência com o objetivo de ampliar a oferta de gás natural proveniente da Líbia, Argélia, Noruega e Reino Unido.


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