Crise 'elevou desconfiança sobre práticas do setor privado', diz Transparência
Pesquisa da ONG Transparência Internacional indica que suspeitas de corrupção em empresas aumentaram.

Um relatório global da organização não-governamental Transparência Internacional indica que o setor privado é cada vez mais alvo de desconfiança em decorrência de suas práticas para realizar negócios.
A impressão está retratada no relatório Barômetro Global de Corrupção, que ouviu cerca de 73 mil pessoas em 69 países do mundo. O Brasil não está entre os oito latino-americanos pesquisados.
Entre este relatório de 2009 e o último, divulgado em 2004, a percentagem de entrevistados que considera haver corrupção no setor privado pulou de 45% para 53%.
"Estes resultados refletem um público sensibilizado por uma crise financeira precipitada por regulamentações deficientes e falta de responsabilidade corporativa", afirmou a presidente da Transparência Internacional, Huguette Labelle.
Comparadas com os partidos políticos, o poder legislativo e judiciário e os funcionários públicos, as empresas são percebidas como as mais corruptas na Islândia, Luxemburgo, Dinamarca, Canadá e Países Baixos, entre outros países.
Má imagem
Entretanto, ainda são os partidos políticos as instituições mais vistas como corruptas entre os entrevistados.
Em resultados iguais aos de 2004, 69% dos entrevistados consideraram que os partidos são corruptos ou extremamente corruptos. Em seguida veio o poder Legislativo (61%).
Já a polícia foi apontada pelos entrevistados como a instituição "mais subornada" - quase um entre cada quatro ouvidos teve de desembolsar recursos para ter um serviço prestado ou evitar complicações com as forças policiais.
Os níveis de suborno se mostraram alarmantes quando a entidade pesquisou a percentagem de propina que os entrevistado pagaram nos últimos 12 meses. Em Serra Leoa este nível alcançou 62%; em Camarões e Uganda, 55%.
Puxada por Bolívia (30%), Venezuela (28%) e Peru (20%), a média latino-americana ficou em 10%.
Na região, três em cada cinco entrevistados consideraram como ineficientes as iniciativas governamentais para combater a corrupção. Os mais céticos são os argentinos, entre os quais mais de 80% expressaram essa opinião.
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