Eike Batista negocia fatia da Vale e critica Agnelli
Depois de meses fugindo do assunto e de muitas respostas genéricas, o empresário Eike Batista revelou ao Estado e à "Agência Estado", na sexta-feira detalhes de seu interesse pela Vale, a maior produtora de minério de ferro do mundo, e criticou o atual presidente da empresa, Roger Agnelli. Ele disse que pode voltar a negociar com o Bradesco, mas no momento está de olho na compra de um lote das ações que a Previ (fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil) tem na mineradora. "É pequeno, mas, para sentar ali no conselho e direcionar, acho fantástico", afirmou.
"A Vale é o sonho de qualquer minerador. Ela poderia fazer investimentos para agregar valor aos produtos que exporta. E pode também ser um instrumento para dar eficiência à logística do País. Olhando de fora, enxergo na Vale diamantes não polidos a rodo", afirmou. De acordo com ele, não houve uma proposta "firme" para comprar a participação do Bradesco na Vale. "Foi só conceito (...). Houve a conversa e a resposta de volta (o Bradesco não quis vender)."
Com um discurso igual ao do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Eike criticou a administração da Vale por investir fora do País e disse que gostaria de ter Sérgio Rosa, presidente da Previ, no lugar de Agnelli. "Honestamente, por mim, comprar uma participação, ter o Sérgio Rosa (presidente da Previ) administrando essa companhia, com a gente podendo dar um input do que fazer (participar da gestão estratégica) já está de bom tamanho. É ajudar o Brasil", disse.
"Acho que ele (Agnelli) fez uma gestão que tem méritos (...)Quando ele assumiu, a Vale era uma empresa muito menor do que hoje. Mas, às vezes, existem fases em que se pode fazer projetos de retorno menor, mas mais interessantes para o País do que projetos só na área de mineração. A gente não pode ser um eterno exportador de matéria-prima", afirmou.
Petróleo
Foi intermediando a venda de ouro e diamantes de garimpeiros da selva amazônica que Eike Batista deu início, na década de 80, ao que hoje é o Grupo EBX. Ao ouro ele está voltando agora, com o projeto da sexta empresa do grupo, já batizada de AUX. Mas é no petróleo que ele faz a aposta mais alta: além de explorar e produzir, também quer fabricar equipamentos. "Estamos voltando à origem. Será uma empresa de U$ 2 bilhões a US$ 3 bilhões. Já temos minas na Colômbia e alguma coisa no Brasil. Mas o Brasil não é rico em ouro. Temos o ouro negro, que é melhor", afirmou. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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