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EUA não vão recuperar consumo do passado, diz Obama a Lula

Em reunião reservada, presidente dos EUA alerta brasileiro sobre transformação na economia real americana

09 de julho de 2009 | 10h 25
Denise Chrispim Marin e Danielle Chaves, da Agência Estado

Em encontro reservado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nesta manhã, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, alertou que seu país não conseguirá recuperar os níveis de consumo do passado e que as nações antes focadas nas exportações para o mercado americano devem impulsionar o consumo interno. Segundo o assessor da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, que acompanhou o encontro, Obama insistiu com Lula que houve uma transformação na economia real americana. Apesar da injeção de US$ 800 bilhões, no pacote de recuperação, haveria trilhões de dólares "perdidos".

Lula e Obama na Itália - Reuters
Reuters
Lula e Obama na Itália

Durante o encontro, o presidente americano enumerou a Lula os esforços de seu governo para recuperar a estabilidade do sistema financeiro dos Estados Unidos. Discorreu, em especial, sobre o novo modelo de regulação das instituições do setor. Lula também detalhou as medidas adotadas pelo País e esnobou, ao informar que a indústria automotiva brasileira alcança níveis de produção superiores aos dos anos anteriores.

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O presidente brasileiro aproveitou o encontro para expor seu temor de que o G-20 venha a "empurrar a crise com a barriga", sem implementar as reformas com as quais seus líderes se comprometeram nas duas reuniões realizadas desde dezembro passado.

Mais especificamente, Lula reclamou que algumas medidas importantes acertadas - como a retomada das negociações da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) e a liberação de recursos pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para países em desenvolvimento em dificuldades por causa da crise, mesmo com os novos aportes recebidos pela instituição - continuam apenas no papel.

Segundo a Casa Branca, Obama também acredita que não é o momento de retroceder em relação a comércio. No entanto, não está claro se Obama e outros líderes vão estabelecer um novo prazo para as negociações de Doha. O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, afirmou que os dois presidentes concordaram em não voltar atrás no comércio.

"Nós certamente vimos as exportações globais caírem bastante no fim do ano passado e no início deste ano", disse Gibbs. "Acho que há um reconhecimento de que, se a economia global vai voltar aos trilhos, nós não podemos voltar para um pensamento protecionista", acrescentou.

Gibbs disse que Obama e Lula não entraram em especificidades sobre Doha, que fracassou por causa de subsídios a agricultores nos EUA e questões de acesso a mercado no Brasil e outros países.

O comunicado do G-8 divulgado na quarta-feira afirmou que os países vão buscar uma conclusão para as conversas, mas não incluiu um prazo. Uma autoridade da Casa Branca disse que a data - provavelmente em 2010 - pode ser incluída no comunicado a ser divulgado nesta quinta pelo G-8 e as quatro maiores economias emergentes.

 

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