Fed pondera riscos de manter juros baixos por longo período
Ata do banco central dos Estados Unidos alerta para especulações não desejadas nos mercados financeiros
As autoridades do Federal Reserve estão cada vez mais confiantes de que a retomada da economia norte-americana é sustentável, mas não vêem o emprego se recuperando em breve, segundo a ata do encontro realizado no início de novembro e divulgada nesta terça-feira. Os formuladores de política monetária também expressaram preocupação sobre possíveis repercussões adversas de sua promessa de manter a taxa de juros baixa por um período prolongado, incluindo especulações não desejadas nos mercados financeiros. "Os membros notaram a possibilidade de alguns efeitos negativos resultantes da manutenção da taxa de juros em nível baixo", informou o Fed na ata do encontro.
O Fed não somente reduziu drasticamente a taxa de juro, à medida que a crise financeira global se aprofundava, mas também instituiu uma quantidade de ferramentas especiais de financiamento com o objetivo de manter a liquidez do sistema financeiro.
O Comitê Federal de Mercado Aberto do Fed (Fomc, na sigla em inglês) não acredita que essa atividade especulativa esteja ocorrendo e afirmou que a desvalorização do dólar tem sido "ordenada" até agora. "Qualquer tendência de que a depreciação do dólar se intensificará ou exercerá significativa pressão sobre a inflação será acompanhada de perto", acrescentou a ata. A moeda norte-americana caiu na semana passada para a mínima em 15 meses ante uma cesta com seis importantes divisas.
Por ora, a ata do encontro indicou que os formuladores de política monetária não estão muito preocupados com a inflação no médio prazo. Isso já era evidente considerando uma série de discursos nos quais até os presidentes regionais do Fed de Dallas e da Filadélfia, considerados "hawkish", expressaram visões mais brandas sobre a perspectiva de aumento sustentável dos preços ao consumidor.
As previsões centrais dos formuladores de política monetária estão levemente mais confiantes sobre as perspectivas econômicas, mas não tanto. Espera-se que o Produto Interno Bruto (PIB) decline bem menos este ano do que o anteriormente estimado.
Da mesma forma, acredita-se agora que a taxa de desemprego recue mais rapidamente que o previsto em junho. "A maioria dos participantes agora vê os riscos a suas previsões de crescimento como quase equilibrados, ao invés de com viés negativo", informou a ata.
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