Governo planeja estimular pequenos empreendedores
Secretaria de Assuntos Estratégicos quer utilizar plano junto às periferias e regiões pobres do país
O governo está formulando um plano de desenvolvimento estratégico para estimular o empreendedorismo nas periferias e regiões pobres do país. A tarefa está a cargo da Secretaria de Assuntos Estratégicos, em conjunto com alguns ministérios, informou nesta sexta-feira, 28, o ministro interino da Secretaria, Daniel Vargas, em visita à organização não governamental (ONG) Observatório de Favelas, no Complexo da Maré, zona norte do Rio de Janeiro. O objetivo da visita foi conhecer potencialidades e experiências inovadoras na comunidade.
"Hoje o grande desafio do Brasil é identificar maneiras eficazes de democratizar as oportunidades de produção para esses empreendedores emergentes que vieram de baixo. Mexer nas regras que organizam a atuação das instituições públicas para oferecer a esse público condições de acesso ao crédito, capacitação gerencial", afirmou o ministro interino.
Segundo o ministro, os programas sociais e de transferência implementados nos últimos anos estimularam um novo mercado consumidor nas periferias e regiões mais pobres do país, criando uma nova classe de empreendedores emergentes, na sua maioria informais. Investir nesse público significa fortalecer o mercado interno, gerar novos empregos locais e consequentemente inclusão social.
O ministro falou que em algumas cidades, pequenos e médios empresários já mudaram a realidade do Brasil, apesar da falta de apoio e assistência. As cidades de Toritama e Caruaru, em Pernambuco, no meio do semiárido nordestino, são responsáveis pela produção de 30% de todo o jeans produzido no país.
Vargas já esteve no Nordeste, na Amazônia e no Centro Oeste e pretende visitar periferias nas principais capitais do país antes de consolidar as diretrizes do novo modelo, que, segundo ele, será concluído nas próximas semanas.
Durante a visita, o coordenador-geral do Observatório de Favelas, Jorge Luiz Barbosa, explicou ao ministro que a Maré tem cerca de 4 mil pequenas e médias empresas que trabalham na informalidade devido aos obstáculos e burocracia que enfrentam para se regularizarem. Segundo ele, as políticas públicas são, na sua maioria, descontínuas e precárias. Apesar de ter cerca de 134 mil habitantes, assinalou, a Maré não tem sequer uma agência do Banco do Brasil ou da Caixa Econômica, um posto dos Correios ou centros de capacitação.
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