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Indústria ainda não é obrigada a coletar

Indústria nacional prefere apostar na criação de tecnologia que elimine o mercúrio da lâmpada

03 de julho de 2009 | 17h 01
Lilian Primi - O Estado de S.Paulo

O Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) montou um grupo de trabalho para criar logística para reciclar lâmpadas fluorescentes. O grupo envolve a cadeia de produção e a venda do produto, muito pulverizada, o que dificulta ainda mais a tarefa. Os trabalhos estão na fase de definição e avaliação de propostas. A primeira ideia foi criar um sistema igual ao das pilhas e baterias, cujo recolhimento é responsabilidade dos fabricantes. Mas a indústria nacional não está disposta a assumir a tarefa, preferindo apostar na criação de tecnologia que elimine o mercúrio.

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Os motivos apontados pelo presidente da Associação Brasileira da Indústria de Iluminação (Abilux), Carlos Eduardo Uchôa Fagundes, é a inviabilidade financeira e prática da proposta. "São milhares de distribuidores, que vendem para outros e outros. E, considerando a fragilidade do material, é impossível." Há ainda a resistência inconfessa em recolher lâmpadas chinesas, que são 70% do que está no mercado.

Mas Fagundes diz que a indústria não está parada. "O mercúrio já foi muito reduzido." O empresário compara a grossura das tubulares antigas, as T-12, com as novas, as T-5. Os reatores, digitais e 40% mais eficientes, também ajudam a reduzir a contaminação. "Tudo o que melhora a eficiência influencia. Por exemplo, a construção das luminárias com alumínio de alto brilho."

A redução real, no entanto, depende da troca das lâmpadas velhas pelas novas e, deste processo, continua sobrando um passivo incômodo, cheio de metal pesado. Por isso, para Fagundes, a melhor solução ainda é o avanço tecnológico. "Temos as LEDs, econômicas e livres de mercúrio", lembra. O problema da LED é a emissão de calor, ainda não controlada, e o preço, que começa a cair só agora. A sua eficiência também é menor: as lâmpadas frias produzem 80 lúmens por watt e a LED, apenas 60 lúmens por watt.

Luz orgânica

"A solução já existe, nas Organics LED, ou OLED. É uma variação que usa uma molécula de carbono e hidrogênio no lugar do diodo", explica Fagundes. A OLED branca tem uma relação, ainda teórica, de 583 lúmens por watt, desempenho espetacular diante dos produtos disponíveis.

Além da eficiência, a LED orgânica permite construir luminárias com a espessura de uma folha de papel, ou então tintas de bioled, que transformam paredes em luminárias gigantes. "No Japão", conta Fagundes, "estão fabricando uma placa que emite luz para ser usada como forro."

A segunda linha de ação da indústria é estimular a multiplicação de recicladoras que fazem descontaminação, desde que alimentadas por um sistema público de coleta.



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