Lâmpada compõe cerâmica
Esta é pelo menos uma tecnologia pra reutilizar lâmpadas fluorescentes, altamente poluentes após descartadas
O reaproveitamento, por parte da indústria cerâmica, de vidro e de pó fosfórico vindos de lâmpadas fluorescentes descartadas pelos consumidores é a primeira solução viável de destinação de um dos mais problemáticos resíduos da construção. Apontadas como ecológicas, as lâmpadas fluorescentes vêm ganhando mercado desde o apagão elétrico, em 2000, por consumirem pelo menos oito vezes menos energia do que as incandescentes. O problema é que elas contêm mercúrio, um metal pesado que resiste por 20 anos no ambiente, e, depois de usadas, tornam-se um grave problema ambiental.

Dados da Associação Brasileira da Indústria de Iluminação (Abilux) mostram que o Brasil fabricava 400 milhões de incandescentes por ano em 2000. Hoje, esse número caiu para 280 milhões. As fluorescentes compactas, que somavam de 2 milhões a 3 milhões de unidades fabricadas em 2000, hoje são 120 milhões. É preciso considerar que a indústria brasileira tem apenas 30% desse mercado, dominado pelos chineses.
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A partir do desenvolvimento de tecnologia para descontaminação e separação dos resíduos, surgiu a possibilidade de destinação na fabricação de revestimentos cerâmicos. A pioneira nesse caminho foi a Lepri, que incluiu o vidro moído na massa e na camada vitrificada e, a partir disso, lançou uma linha de ecopastilhas. Além de absorver o resíduo, a empresa tem vantagens com a medida. "Há uma redução do consumo de gás, já que o vidro permite trabalhar com temperaturas menores", explica o presidente da empresa, José Lepri.

COM VIDRO MOÍDO - Lepri produz ecopastilhas a partir de restos de lâmpadas fluorescentes
Solução parcial
Embora positiva, só esta solução ainda não resolve o problema. Com mercúrio e gases tóxicos em sua composição, as lâmpadas fluorescentes descartadas exigem um tratamento caro e complexo antes de se tornarem matéria-prima para a cerâmica. É preciso descontaminar o material, separando o vidro e o alumínio da base do mercúrio e do pó fosfórico, que são depois encaminhados separadamente. A Lepri compra o vidro de uma recicladora instalada em Paulínia, a Apliquim. Essa recicladora atende ao Brasil inteiro, mas recebe as lâmpadas apenas de grandes consumidores, que utilizam as tubulares. O mesmo ocorre nas demais recicladoras. Existem também empresas que apenas trituram o material.
Produção
400
milhões de unidades era a produção de lâmpadas incandescentes em 2000, quando houve o apagão elétrico
280
milhões de unidades/ano é a produção atual das incandescentes, que devem sumir do mercado até 2012
Consumo
3
milhões de lâmpadas fluorescentes compactas foram consumidas no Brasil em 2000
120
milhões de unidades é o número de lâmpadas fluorescentes compactas consumidas hoje
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