Obama aproveita estreia no G8 para advertir o Irã
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, advertiu o Irã nesta sexta-feira de que o mundo não vai esperar indefinidamente para que ponha fim a seu desafio no campo nuclear e disse que o governo iraniano tem até setembro para cumprir as exigências ou enfrentar as consequências.
Em declarações após o término da cúpula do G8, Obama disse que os líderes do grupo decidiram enviar uma mensagem condenando os eventos "chocantes" envolvendo a controvertida eleição presidencial do Irã e expressando uma posição solidária contra as ambições nucleares do país.
Ele disse esperar que o Irã inicie negociações sobre a questão nuclear e afirmou que os líderes vão reavaliar a situação novamente num encontro do G20, que reunirá países desenvolvidos e em desenvolvimento, em Pittsburgh, em setembro.
"Se o Irã escolher não atravessar essa porta, então, pra começar, está registrada a posição do G8, mas acho que potencialmente vários outros países vão dizer que precisamos tomar outras medidas", disse Obama aos repórteres.
"Também dissemos que não vamos esperar indefinidamente, permitir o desenvolvimento de uma arma nuclear, a quebra de tratados internacionais, e depois acordar um dia e descobrir que estamos numa situação muito pior e sem condições de agir", disse ele.
Obama deixou claro que se mantém firme em sua estratégia de tentar uma solução diplomática com o Irã, uma mudança em relação a seu antecessor, George W. Bush, que adotou uma política de confronto.
Mas a atitude de Obama foi prejudicada pela eleição presidencial de 12 de junho no Irã, na qual o presidente Mahmoud Ahmadinejad foi declarado vitorioso por ampla margem de votos e depois as forças de segurança do país reprimiram violentamente manifestantes que acusam o governo de ter fraudado a eleição.
Obama aguçou sua posição contra o Irã depois de ter sido criticado nos Estados Unidos por adotar uma atitude cautelosa depois da eleição iraniana. Na cúpula, ele procurou unir forças na questão.
Obama disse que ele e outros líderes buscaram apenas uma forte condenação por parte do G8 e não a imposição de novas sanções contra o Irã pelos países da cúpula, apesar de terem surgido informações do contrário.
Mas ainda não está claro qual nova pressão poderá ser exercida sobre o Irã, que rejeitou exigências internacionais para suspender atividades de um programa nuclear que o Ocidente acredita ser direcionado para a fabricação de armas. O Irã diz que seu objetivo é a geração de energia elétrica.
Embora a Rússia tenha endossado o comunicado do G8, o Kremlin costuma ser relutante em aplicar sanções duras contra o Irã, país que é importante aliado comercial e comprador de armas russas.
(Reportagem adicional de Jeff Mason e Gavin Jones)
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