Presidente do BB nega pressão política para baixar spread
Segundo Aldemir Bendine, não há qualquer compromisso formal de gestão para reduzir as taxas cobradas
Em café da manhã com a imprensa na manhã desta terça-feira, o novo presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, negou diversas vezes que exista algum tipo de pressão política para que a instituição reduza os spreads bancários - diferença entre taxa de captação e a cobrada nos empréstimos - e os juros cobrados dos consumidores.
Segundo ele, não há qualquer "compromisso formal de gestão" com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para a redução dos spreads cobrados pelo BB. "Não existe compromisso formal de gestão. O compromisso que tenho com o ministro é para destravar o crédito com a oferta de recursos em velocidade maior", disse o novo presidente. "Não me sinto pressionado. Essas são decisões técnicas tomadas por um colegiado com base em estudos", explicou.
Quando Bendine tomou posse no início do mês, Mantega afirmou na apresentação do novo presidente que havia um "contrato de gestão" do novo executivo que previa, entre outros itens, o aumento da oferta de crédito e a maior concorrência entre as instituições bancárias.
Apesar de rechaçar qualquer pressão, Bendine defende que a redução dos spreads bancários é "uma questão dada". "Não é só o BB que vai vivenciar isso (queda do spread), mas todo o sistema financeiro. O spread é composto por uma série de fatores, inclusive a Selic. Se essa taxa cai, o spread cai para se adequar", disse sem fazer prognóstico para a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) que anuncia amanhã decisão sobre a taxa Selic.
Dessa forma, Bendine sinaliza que a primeira redução dos juros sob sua gestão pode ser anunciada logo após um eventual corte da Selic na noite de quarta-feira.
Banco de Brasília
Bendine negou também que as negociações para a incorporação do Banco de Brasília (BRB) estejam interrompidas, como informou há alguns dias o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda. Segundo o novo presidente do BB, haverá reunião na próxima semana para acertar detalhes sobre as condições do negócio.
Segundo Bendine, esse desencontro de informações sobre as negociações entre as duas instituições bancárias foi gerado "porque houve um pequeno solavanco" nas conversas entre as instituições, em meio à troca da diretoria do Banco do Brasil. Bendine não quis dar detalhes sobre a avaliação já concluída do BB sobre o valor de mercado do BRB. Ele informou ainda que também continuam as negociações para a incorporação do Banco do Estado do Espírito Santo (Banestes).
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