Tesouro Nacional faz captação de US$ 1 bi no exterior
Em meio à crise financeira global, e depois de quase oito meses de ausência, o Brasil voltou ontem ao mercado internacional com o lançamento de US$ 1 bilhão em bônus da dívida externa com vencimento em 2019. Apesar da crise, uma onda positiva se instalou no mercado financeiro com a proximidade da posse do novo presidente dos EUA, Barack Obama, e abriu uma janela de oportunidade para a emissão do governo brasileiro, que identificou demanda de investidores pelos papéis do Tesouro Nacional.
A emissão brasileira sofreu, no entanto, a concorrência da Colômbia, que logo depois do anúncio do Brasil também comunicou ao mercado uma captação externa com o mesmo prazo de vencimento. O resultado final mostrou que os papéis brasileiros foram mais bem aceitos. Enquanto os títulos colombianos pagaram uma taxa de 5,029 pontos porcentuais acima do título dos Estados Unidos, o Brasil vendeu com spread de 3,70 pontos porcentuais. Também teve um spread menor do que o título do México de mesmo prazo emitido em dezembro do ano passado com 3,90 pontos porcentuais.
O custo da operação brasileira, no entanto, ficou maior do que a mexicana, porque quando o México emitiu o seu papel os juros americanos estavam mais baixos. A taxa de retorno ao investidor (na prática é o custo da operação para o País) do bônus do Brasil ficou em 6,127% ao ano e a do México, em 5,98%. A Colômbia vai pagar mais: 7,5%. Em função da crise financeira, que encareceu o preço de todos os ativos financeiros, o custo da operação brasileira foi o mais alto para um papel de 10 anos desde novembro de 2006.
Essas foram as primeiras captações soberanas de países emergentes desde uma operação da Turquia, no início de setembro, antes do agravamento da crise internacional. A última emissão externa soberana do Brasil foi feita em 14 de maio de 2008, com uma reabertura de papéis Global 2017 no valor de US$ 525 milhões. Na época, o custo saiu a 5,299%. Foi a única emissão externa em 2008.
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