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Atletas paraolímpicos esperam evolução após Pequim

Brasileiros retornam ao País empenhados em contribuir para o crescimento do esporte no Brasil

19 de setembro de 2008 | 21h 53
Agência Estado

Recebidos com festa no Aeroporto de Guarulhos, nesta sexta-feira, em São Paulo, os atletas da delegação paraolímpica chegam ao Brasil empenhados em aproveitar o recorde de 47 medalhas conquistadas nos Jogos de Pequim para sedimentar de vez no País a prática esportiva entre portadores de deficiência.

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"Nós, atletas paraolímpicos, diferentemente do esporte olímpico, somos ‘mídia’ uma semana antes, durante a competição e uma ou duas semanas depois. Gostaria de ver isso diferente, pois mostramos empenho e profissionalismo", afirma o nadador André Brasil, dono de quatro medalhas de ouro em Pequim.

A 9.ª posição no quadro geral da Paraolimpíada, superando o 14.º lugar obtido nos Jogos de Atenas/2004, é vista como uma possibilidade de consolidar o status do Brasil como potência mundial paraolímpica. "Se houver incentivos, resultados bem maiores do que este estão por vir", disse André Brasil, que acredita que a equipe brasileira pode brigar para ficar entre os oito melhores na próxima edição, em Londres/2012.

As empresas que investem em atletas portadores de deficiência, no entanto, ainda são poucas, assegura Lucas Prado, ganhador de três medalhas de ouro no atletismo. "O interesse está crescendo agora, mas ainda é preciso aumentar muito a cota atual de patrocínio para estes atletas. Sem apoio fica difícil", diz Lucas, que possui deficiência visual.

Seu guia, Justino Barbosa afirma que a fama após as conquistas costuma ter curta duração. "Após um bom resultado como esse, as pessoas nos param, tiram fotos, mas isso não dura mais que três meses", contou. Mas ele acredita que o bom desempenho em Pequim pode reforçar a condição dos esportistas paraolímpicos como atletas profissionais. "Nestes Jogos, eles mostraram que são capazes de competir com um alto rendimento, superando marcas."

Para Daniel Dias, destaque brasileiro com nove medalhas nas piscinas do Cubo d’Água, a consolidação de um calendário fixo para atletas paraolímpicos nos quatro anos que antecedem os Jogos foi um passo importante. Aos 20 anos, o atleta, que possui má-formação congênita, conquistou quatro de ouro, quatro de prata e uma de bronze.

Ele diz que a evolução já é sentida pelos adversários. "Em Pequim, atletas de outros países vieram nos cumprimentar pela melhora. Esperamos que cresça cada vez mais, agora com uma maior divulgação das competições, para que este reconhecimento permaneça e não seja apenas momentâneo", afirmou Daniel Dias.




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