Após Palmeiras, Traffic avança sobre outros clubes paulistas
Empresa adquire parte dos direitos econômicos de Hernanes, do São Paulo, e de Lulinha, do Corinthians
Dona de quatro jogadores do Palmeiras e de parte dos direitos econômicos de mais quatro, a Traffic avança agora sobre os outros grandes clubes paulistas. A meta da empresa é comprar parte dos direitos econômicos dos principais jogadores em atividade no Brasil - independentemente de qual clube ele defender -, visando ao lucro numa venda para o exterior.
Uma grande demonstração de força ocorreu há duas semanas. A agência de marketing esportivo do jornalista e empresário J. Hawilla adquiriu 15% dos direitos econômicos do volante Hernanes, um dos principais jogadores do São Paulo. O clube ainda detém 75% desses direitos e os outros 10% são do atleta, que só sairá do Tricolor caso apareça uma proposta de fora do Brasil.
"A Traffic comprou a parte de um empresário do Hernanes. Não teve nada a ver com o São Paulo", diz Marco Aurélio Cunha, superintendente do clube. "Não precisamos de parceria desse tipo."
No Corinthians, a Traffic marca presença com o empresário Wagner Ribeiro, detentor das procurações dos atletas profissionais Lulinha, Dinelson e Nilton, além de outros 12 das equipes de base.
Ribeiro e outros dois empresários influentes no futebol (André Cury e Frederico Pena, sócio da agência há anos) se juntaram na criação da Traffic Talentos, o braço montado pela empresa para gerenciar carreiras de atletas.
Em tese, funciona como uma espécie de "super-assessoria", cuidando da imagem dos jogadores na mídia e negociando seus contratos com clubes e patrocinadores. "Não ganhamos parte do salário de ninguém", esclarece Ribeiro. "Ganhamos, claro, é na porcentagem de uma negociação."
Esse era um dos poucos setores do esporte em que a Traffic não atuava. Há 25 anos a empresa já trabalha com a venda de direitos de transmissão dos jogos e com a publicidade estática (placas) em torno dos campos de futebol.
O novo alvo da Traffic é o Santos, para uma parceria semelhante a que tem com o Palmeiras, mas numa escala menor - a empresa compra o jogador, registra no Desportivo Brasil (seu clube "laranja") e o empresta ao time da Vila Belmiro. "Estamos nos aproximando do Santos sim, como já tentamos nos aproximar de São Paulo, Corinthians, Portuguesa e muitos outros", diz Júlio Mariz, presidente da Traffic. "O Palmeiras é o clube onde preferencialmente encaixaremos nossos jogadores, mas não há exclusividade."
Quem faz a ponte entre a Traffic e a diretoria do Peixe é Wagner Ribeiro. "Tem muito jogador que não interessa ao Palmeiras, mas que pode interessar ao Santos", argumenta o empresário.
Ribeiro não revela quem já pode ser contratado para o Peixe. Mas admite ter levado o atacante Alemão para a sede da Traffic, em São Paulo, semana retrasada. "Queríamos comprar parte dos direitos do Alemão e deixá-lo no Santos, visando ao lucro no futuro. Mas o ignorante do Leão entendeu tudo errado. Ele achou que a gente queria tirar o garoto do Santos, coisa que nunca passou pela nossa cabeça, e o negócio não deu certo."
E O PALMEIRAS COM ISSO?
Não existe um contrato entre Palmeiras e Traffic celebrando essa parceria. Ainda. "Em 10 dias no máximo estará pronto esse contrato", diz o vice-presidente alviverde, Gilberto Cipullo.
A Traffic comprou Gustavo, Henrique, Lenny e Diego Souza, registrou-os no Desportivo Brasil (clube com sede em Barueri) e os repassou por empréstimo ao Palmeiras. Para o time de Palestra Itália, o negócio é lucrativo: além de usar os jogadores da empresa, ainda lucra (entre 20% e 30%) com uma venda futura, o que não ocorre numa negociação normal de empréstimo.
Segundo Cipullo, o tempo da parceria é um dos assuntos que precisam ser resolvidos antes da formalização do contrato. "Mas já posso garantir que não haverá uma cláusula de exclusividade ao Palmeiras. A Traffic trabalha com quem ela quiser."
São Bento, Ituano e Avaí já são clubes parceiros. A empresa tem ainda parte dos direitos de jogadores do Atlético-MG e do Cruzeiro. Segundo os dirigentes do Verdão, se houvesse algum tipo de conflito de interesse nessa questão, o Ituano ("primo pobre") não teria vencido o Palmeiras ("primo rico"), semana passada pelo Paulistão.
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