Após reforma, clássico entre Atlético-MG e Cruzeiro reabre Mineirão
Estádio ficou 2 anos e 7 meses fechado para as obras da Copa de 2014 e será reinaugurado neste domingo
BELO HORIZONTE - Depois de dois anos e sete meses fechado, para uma reforma radical, o Mineirão finalmente está de volta. E com um jogo que representa a essência do futebol mineiro. Cruzeiro e Atlético se enfrentam hoje, às 17 horas. O clássico é valido pela primeira rodada do Campeonato Mineiro, mas não deixará de servir como primeiro teste do estádio para a Copa das Confederações.
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O Mineirão terá ótimo público na reabertura. Os 58.968 ingressos colocados à venda se esgotaram na noite de sexta-feira – a capacidade total da arena agora é de 62.160 torcedores.
Um dos desafios hoje é evitar a repetição dos problemas na venda dos bilhetes, como o atraso na abertura das bilheterias que resultaram em imensas filas.
Mais de 4 mil pessoas atuarão como orientadores da torcida dentro e fora da arena, numa tentativa de que não ocorram transtornos nem tumultos. Todos os lugares da arena são numerados, como determina a Fifa.
Existe apreensão, pois pela primeira vez em mais de dois anos as torcidas dos dois times estarão juntas no estádio. Um forte esquema de segurança foi montado e o temor maior é de que confrontos ocorram longe do estádio (leia mais nesta página).
Segunda arena que receberá jogos da Copa das Confederações, em junho, e da Copa de 2014 a ser reinaugurada – a primeira foi o Castelão, em Fortaleza –, o Mineirão não será testado oficialmente nesta tarde. "Haverá pessoas do COL e da Fifa na arena, mas apenas como observadores’’, disse Tiago Lacerda, secretário extraordinário da Secopa em Minas. "Mas o mais importante dessa reforma é que cumprimos tudo o que foi acordado e assinado com a Fifa.’’
POLÊMICAS
Lacerda define o processo de reforma como "difícil desde início’’. O Mineirão enfrentou greve e teve de conviver com denúncias de irregularidades como superfaturamento, pagamento por obras não realizadas e dispensa de licitação.
Em novembro passado, denúncias de irregularidades no contrato com o escritório de arquitetura responsável pelo projeto básico da reforma levaram o Ministério Público a pedir o bloqueio dos bens de vários envolvidos com as obras. A Justiça Federal do Estado atendeu ao pedido. "O contrato é totalmente legal’’, garante Lacerda. "Respeita integralmente a lei’’, reforça.
Outra controvérsia é sobre o modelo de negócio que viabilizou a reforma, orçada em R$ 665,8 milhões. Foi feita Parceria Público-Privada entre o governo estadual e o consórcio Minas Arena (formado por três empresas), que vai operar o espaço – estádio e a esplanada – por 25 anos.
Pelo contrato estabelecido, o governo mineiro começou a pagar em janeiro, ou seja após a conclusão da obra, R$ 3,3 milhões por mês ao consórcio. Desembolsará esse valor por 120 meses (10 anos), com correção, para cobrir os R$ 400 milhões do financiamento feito pelo BNDES.
Além disso, o Minas Arena terá direito por 25 anos a remuneração mensal variável, que será apurada da seguinte maneira: o consórcio trabalhará com a expectativa de obter receita operacional mínima de R$ 3,7 milhões/mês. Se não atingir este valor, o Estado completará a diferença.
O contrato também estabelece uma faixa de corte, de R$ 2,6 milhões. Por este artifício, a quantia que superar essa quantia será dividida entre governo e concessionária.
O dinheiro apurado nessa divisão, porém, não entrará na conta que tem de perfazer o total de R$ 3,7 milhões a que o consórcio tem direito mensalmente.
Assim, o governo só não terá de fazer pagamentos ao Minas Arena nos meses em que a receita atingir R$ 4,8 milhões. Nesse caso, as partes dividirão R$ 2,2 milhões. O consórcio colocará os seus R$ 1,1 milhão no cofre e o governo usará a sua parte para juntar aos R$ 2,6 milhões do limite e completar os R$ 3,7 milhões a serem pagos ao consórcio.
O contrato tem recebido críticas daqueles que o consideram desvantajoso para os cofres público. Lacerda rebate: "Há a possibilidade de o governo diminuir o desembolso mensal e até mesmo de ter lucro (quando a receita superar R$ 4,8 milhões)’’.
FONTES DE RENDA
As receitas do consórcio Minas Arena virão de itens como bares, restaurantes, shows dentro e fora da arena (a esplanada no entorno do Mineirão pode receber até 65 mil pessoas), arrecadação das lojas e a venda do naming rights.
Cruzeiro e América já assinaram contrato com o consórcio para jogar na arena. O Cruzeiro, por 25 anos. Terá, em seus jogos, a bilheteria de até 54 mil ingressos e a renda do estacionamento – mas pagará as despesas –, entre outros benefícios. O América, dono do Independência, jogará ocasionalmente no Mineirão.
O Atlético não entrou em acordo até agora, pois não considera vantajoso financeiramente. Neste domingo, atua como visitante.
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