Brasil joga mal, mas bate o Uruguai de virada por 2 a 1
Luís Fabiano marca duas vezes e honra camisa 9; Júlio César também salva seleção de vexame no Morumbi
A torcida compareceu. A organização cumpriu seu papel e a seleção brasileira, contando com a volta de um camisa 9, chamado Luís Fabiano, fez a festa de todos ao vencer o Uruguai por 2 a 1 na noite desta quarta-feira, no Morumbi, em partida válida pela quarta rodada das Eliminatórias Sul-americanas para a Copa do Mundo de 2010.
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Com a vitória, a primeira sobre o Uruguai desde a Copa América de 99 (de lá pra cá foram seis jogos, com cinco empates e uma derrota), o Brasil assume provisoriamente a segunda colocação, com oito pontos. Já o time uruguaio continua com quatro pontos.
Ciente da fragilidade brasileira na marcação no meio-campo e nas laterais, o técnico uruguaio, Oscar Tabarez, armou sua equipe com duas linhas de quatro, evitando, assim, qualquer tipo de iniciativa dos meias Kaká e Ronaldinho Gaúcho, que passaram todo o primeiro tempo sem conseguir armar uma simples tabela.
Para piorar, não era apenas a marcação uruguaia que funcionava. Com o domínio do meio-campo, os uruguaios criaram chances e abriram o placar logo aos oito minutos. O lateral-direito Pereira desceu com facilidade, passou pela marcação de Gilberto e cruzou na área. O goleiro Júlio César desviou, mas não o suficiente para evitar a conclusão de cabeça de "El Loco" Abreu, ex-Grêmio.
Se o nervosismo por jogar no Morumbi já era grande, ele ficou maior ainda com o começo de algumas vaias e os gritos de vários torcedores pelo goleiro Rogério Ceni, do São Paulo. Desta forma, a seleção brasileira jogou como se os jogadores nunca tivessem treinado juntos, com Robinho agindo como um ala, e Kaká como se fosse um volante, diante da inibição de Gilberto Silva.
Esperto, o Uruguai manteve sua formação, com marcação por zona, tocando a bola de um lado para o outro, abrindo espaços para atacar, o que aconteceu aos 29 minutos, quando Alvaro González chutou da entrada da área e Júlio César não conseguiu defender, deixando a bola livre para a conclusão de Abreu, para fora. A jogada, no entanto, não havia sido validada, já que o atacante uruguaio estava em impedimento.
O goleiro Júlio César teve sua chance para se redimir perante a torcida paulista, já que, aos 34 minutos, o lateral-direito Pereira - destaque uruguaio - chutou forte, exigindo boa defesa do goleiro brasileiro. Aos 39, Abreu teve mais uma chance para ampliar o placar, mas chutou por cima do gol. Este lance foi o estopim para a torcida, que passou a vaiar e até a ensaiar um grito de ‘olé’ em protesto ao futebol apresentado pela seleção.
A festa, no entanto, não poderia ser estragada pela atuação conjunta da seleção. Assim, coube à novidade da equipe, Luís Fabiano, de recolocar o Brasil na briga, com um belo gol aos 45 minutos. O atacante, mesmo sem ângulo, acreditou na jogada e chutou forte, fazendo a bola passar por debaixo das pernas do goleiro Carini.
O gol animou o técnico Dunga, que optou por não modificar a equipe no começo do segundo tempo, e quase pagou caro por isso, já que o Uruguai criou duas boas chances para voltar a ficar na frente no placar., mas a pontaria de Suárez e Abreu não é boa.
Ao perceber que a seleção brasileira realmente não se encontrava no setor do meio-campo, Dunga fez uma alteração, no mínimo, corajosa, ao tirar Ronaldinho Gaúcho, apagado, para a entrada do volante Josué, aos 15 minutos. A intenção era fortalecer a marcação no meio-campo e, ao mesmo tempo, liberar Kaká para atacar.
A modificação mostrou-se correta e, aos 18, a seleção brasileira finalmente resolveu ajudar a motivar a festa com um belo gol de Luís Fabiano - o segundo -, que aproveitou o chute errado de Gilberto para chutar forte, sem chance de defesa para Carini. A comemoração foi puxada por Vágner Love que, até então, era o titular da posição.
Brasil
2
Julio Cesar; Maicon (Daniel Alves), Juan, Alex e Gilberto; Mineiro, Gilberto Silva, Kaká e Ronaldinho Gaúcho (Josué); Robinho (Wagner Love) e Luís Fabiano
Técnico: Dunga
Uruguai
1
Carini; Pereira, Lugano, Godín e Fucile ; Gargano, Álvaro González e Ignácio González; Rodríguez , Suárez (Sánchez) e Abreu
Técnico: Oscar Tabarez
Gols: Abreu, aos oito, Luís Fabiano, aos 44 minutos do primeiro tempo; Luís Fabiano, aos 19 minutos do segundo tempo
Árbitro: Héctor Baldassi (ARG)
Renda: R$ 4.321.225,00
Público: 65.379 pagantes
Estádio: Morumbi
A resposta uruguaia aconteceu dois minutos depois, quando Abreu subiu sozinho e cabeceou forte, para o chão, mas Júlio César, atento, fez mais uma boa defesa, fazendo o nome de Rogério Ceni ser esquecido pela torcida.
Aliviado com a virada no placar, Dunga aproveitou para tirar mais uma estrela apagada da seleção, Robinho, para a entrada de Vágner Love, enquanto Maicon saiu para dar uma nova chance a Daniel Alves. O panorama, no entanto, não mudou. O Uruguai resolveu atacar na base do desespero, com cruzamentos à área, sem aproveitamento algum, apesar dos sustos que a torcida brasileira levou. Já o ataque, mesmo com o novo camisa 9, Luís Fabiano, não voltou a balançar as redes uruguaias. Nem precisava, a vitória e a quebra do jejum já estavam garantidos.
Agora, a seleção brasileira volta a jogar pelas Eliminatórias somente em junho do ano que vem, diante do Paraguai, em Assunção, enquanto o Uruguai recebe a Venezuela, também em junho, entre os dias 15 e 16.
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