Button aposta forte na McLaren. Em 2012
Inglês dá como certo o título deste ano para Vettel, mas acredita em próxima temporada diferente
SUZUKA - Como em 2010, parte da imprensa inglesa começou a falar de Fórmula 1 este ano reservando a Jenson Button, da McLaren, papel de coadjuvante no Mundial. A razão é simples: Button é o companheiro de equipe de Lewis Hamilton, "mais talentoso e capaz", a mensagem nas entrelinhas de muitos textos.

Mas, na próxima madrugada, quem tem chances, ainda que matemáticas, de evitar, ao menos no GP do Japão, o bicampeonato do cada vez melhor Sebastian Vettel, da Red Bull, é Button e não Hamilton que, aliás, vive seu inferno astral nesta temporada.
Nessa conversa com o Estado, na sexta-feira em Suzuka, depois de ter sido o mais veloz nas duas sessões livres e feliz da vida por estender o contrato com a McLaren, Button disse não sonhar com o título deste ano. "Vettel será campeão, não há como." E diz se importar com o excesso de atenção da imprensa com Hamilton apenas quando inventam coisas a seu respeito. "Leio jornais. E vê-las, incomoda."
Sobre a investida da Ferrari para saber do seu interesse de correr ao lado de Fernando Alonso, em 2013, confessou: "Penso ser importante os pilotos ouvirem as opões que têm".
Button está animadíssimo para a próxima temporada: "Eu nunca me senti tão bem numa equipe como na McLaren. E acabei ficando aqui não por dinheiro, mas por acreditar que é aqui que terei mais chances de ser campeão do mundo novamente", diz o filho de John Button, sempre presente dos autódromos, com seu estilo único: camisa desabotoada, larga, sapatos brancos, cordão de ouro e, sempre que possível, um copo de uísque na mão para celebrar os resultados do filho, não importa se vitórias ou derrotas. "Meu pai é um show-man", define, rindo.
"A equipe está realizando trabalhos específicos comigo no simulador. Desenvolve soluções específicas, o carro vai nascer ao meu redor, já um pouco como este ano", conta. A decisão de trocar a Brawn GP pela McLaren, logo depois de conquistar o título de 2009, foi criticada por muitos. A Mercedes adquiriu a Brawn no fim daquele ano. "Sabia que o time teria um campeonato difícil em 2010. Já na segunda metade de 2009 perdemos competitividade, não desenvolvemos o carro por falta de recursos."
A McLaren, diz Button, que lhe convidara, dispunha da estrutura que a Brawn GP, ou Mercedes, não tinha. "Mas eu acreditava que depois de um 2010 difícil este ano as coisas seriam melhores para eles, e não estão", comenta como quem diz estar com a razão ao optar pela troca. "Não creio que seja, agora, o meu último contrato na Fórmula 1." O tempo do compromisso não foi divulgado. "Tenho 31 anos, me sinto jovem, acredito que tenho muito a dar ainda à F-1, como conquistar outro Mundial."
Triatleta. Se depender de condição física , Button já se garantiu no mínimo até os 40 anos. "Sou triatleta. Amo esse esporte. E me ajuda na Fórmula 1. O nível de preparo necessário é bem superior às exigências de uma corrida", explica. "A concentração requerida antes de uma largada com 500 atletas, todos correndo para a água, para a prova de natação, um tocando no outro, me lembra o GP de Mônaco."
O piloto inglês começou sua trajetória na Fórmula 1 em 2000, com 20 anos, pela Williams, e no ano seguinte competiu pela Benetton, dirigida por Flavio Briatore. Diante da sua falta de resultados e até interesse, o italiano foi duro com seu piloto na sexta-feira do GP de Mônaco, sem atividade de pista: "Jenson esqueceu a Fórmula 1. Não tinha nada, ganhou de repente muito dinheiro e agora só pensa em curtir a vida. Agora, por exemplo, está no seu barco em vez de aqui, trabalhando". Sorrindo, ontem, respondeu: "É verdade. Eu era muito jovem, inexperiente e comecei a aproveitar demais as facilidades que me ocorriam". Mas falou, também: "Não é fácil ser piloto de Flavio, em especial se você é jovem, a forma como te trata".
Hoje, Button parece ter arrefecido os ânimos de suas aventuras. A elegante Jessica Chibata, modelo japonesa de lingerie, dá sinais de ter mesmo entrado na sua vida. "Muita coisa mudou depois de 2001. Aprendi demais. Dá para ver pelo que tenho realizado este ano, não?"
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