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China se apresenta ao mundo com a Olimpíada de 2008

Fazer o maior evento da história é a forma de o país se mostrar como uma superpotência emergente

30 de novembro de 2007 | 12h 19
José Eduardo Barella, enviado especial - O Estado de S. Paulo

Pequim já entrou na contagem regressiva para a Olimpíada de 2008. Placares digitais espalhados pela capital chinesa apontam o número de dias e de horas que faltam para a cerimônia de abertura, marcada para o dia 8 de agosto, enquanto milhares de operários se revezam 24 horas por dia nas obras de infra-estrutura que dominam a paisagem urbana.

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A poeira no ar e o vaivém dos caminhões betoneiras são o indício mais visível de que Pequim vai cumprir a promessa, reiterada com obsessão pelas autoridades, de oferecer ao planeta a maior Olimpíada da história. Só em melhorias na infra-estrutura da capital chinesa foram investidos US$ 40 bilhões.

O projeto, no entanto, atende mais a interesses geopolíticos que esportivos - a China quer usar os Jogos de 2008 para apresentar-se ao mundo como uma superpotência emergente. Esse objetivo fica evidente em cada anúncio oficial referente ao evento.

A velha China de Mao Tsé-tung, um país rural e fechado ao mundo, decididamente ficou no passado. Após 30 anos de abertura econômica, que inaugurou um modelo inédito de gestão capitalista sob o comando do Partido Comunista, a China se modernizou e hoje exerce uma liderança política, econômica e militar na Ásia. Faltava um evento midiático como a Olimpíada para convencer o Ocidente de sua força.

Nas últimas duas décadas, o país manteve média anual de crescimento de dois dígitos, que ajudou a tirar 400 milhões de chineses da miséria e colocou o país entre as três maiores economias do mundo, com um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 2,7 trilhões - apesar de a renda per capita da população, de US$ 2 mil, ser igual à de Angola.

Essa abertura econômica, que se vê nos néons de marcas ocidentais que iluminam as avenidas de Pequim, foi acompanhada por uma sutil mudança de postura do governo chinês, cada vez mais suscetível à opinião pública internacional. As relações com os Estados Unidos nunca foram tão boas.

Houve também uma aproximação maior de órgãos multilaterais, como a ONU. A China mantém tropas de paz no Haiti e contribui com missões humanitárias em regiões problemáticas, como o Congo. Recentemente, deixou de proteger o regime comunista da Coréia do Norte, aliando-se ao Ocidente na aplicação de sanções ao país, e condenou o regime militar de Mianmar, outro antigo aliado, por reprimir os protestos de monges.

No plano interno, as mudanças ainda são lentas e limitadas. O controle da imprensa, a violação de direitos humanos e as restrições individuais são claros sinais de que na China ainda vigora uma ditadura. Mas até os críticos no Ocidente admitem que os compromissos assumidos pelo regime comunista para sediar a Olimpíada estão trazendo benefícios antes ignorados à população, como o combate à poluição e melhorias de infra-estrutura sanitária e de transportes.

No mês passado, o vice-prefeito de Pequim e o vice-presidente executivo do Comitê Organizador, Liu Jingmin, anunciou que o orçamento dos Jogos de 2008 passou de US$ 1,6 bilhão para US$ 2 bilhões. O aumento foi aprovado para melhorar a parte de segurança, uma das prioridades das autoridades chinesas. Mesmo assim, o custo operacional ficará abaixo do que foi gasto nos Jogos de Atenas - US$ 2,4 bilhões.

A Olimpíada de 2008 representa apenas o primeiro passo para que a China consolide essa imagem modernizante - outros megaeventos deverão manter o país em evidência nos próximos anos, como a Expo Mundial de Xangai, em 2010, os Jogos Asiáticos de 2012 e, ainda um sonho, a Copa do Mundo de 2018.



Tópicos: Pequim 2008

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