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Olimpíada 2012 - Atletismo

Dirigente africano é demitido por mentir sobre Semenya

Comitê ainda definiu que Leonard Chuene está impedido de assumir qualquer alto cargo no esporte por sete anos

18 de fevereiro de 2011 | 9h 30
AE - Agência Estado

O Comitê Olímpico Sul-Africano demitiu nesta sexta-feira Leonard Chuene, presidente da Federação de Atletismo da África do Sul (ASA), por conta do seu comportamento no caso de Caster Semenya e também por má conduta financeira. O comitê definiu que Chuene está impedido de assumir qualquer alto cargo no esporte por sete anos.

O comitê anunciou nesta semana que sua investigação determinou que Chuene, suspenso da presidência do atletismo sul-africano desde 2009, era culpado por apropriação indébita de recursos, sonegação de impostos e má gestão do atletismo. Semenya venceu os 800 metros no Mundial de 2009, logo após a Federação Internacional das Associações de Atletismo (Iaaf, na sigla em inglês) anunciar que estava investigando se ela podia competir como uma mulher. A pressão de Chuene para permitirem que ela competisse a deixou exposta.

Norman Arendse, o advogado que conduziu a investigação para o Comitê Olímpico Sul-Africano, disse ter encontrado provas contra Chuene de "abuso desenfreado dos recursos da ASA, abuso de poder e de autoridade, enriquecimento, cobiça e, muito francamente, corrupção". A investigação incluiu uma auditoria das finanças da ASA que mostrou que a organização tinha 500 mil rands (cerca de 115 mil reais) no banco em 2005 e passou a ter 7 milhões de rands (em torno de 1,6 milhão de reais) em dívidas em 2008 sob a gestão de Chuene.

Arendse descobriu que as perguntas sobre o gênero de Semenya levaram Chuene a organizar testes, que foram feitos um dia antes dela viajar para o Mundial de Atletismo em Berlim. Mas na reunião com a equipe médica da Iaaf em Berlim, Chuene disse que nenhum teste de gênero havia sido realizado na África do Sul, e ela foi autorizada a competir a partir dessa garantia.

Chuene também teria dito ao dirigentes da Iaaf que se recusassem a deixar Semenya correr, eles teriam de enfrentar uma revolta política e uma ação judicial. "Não há nem uma pequena dúvida de que a conduta de Chuene foi inaceitável e que trouxe descrédito para a ASA e o atletismo no país, e que a dignidade de Semenya foi violada, como resultado", disse Arendse.

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