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Eterno vice, Stirling Moss dá conselho para Rubinho

16 de outubro de 2009 | 7h 11
THIAGO ARANTES - Agencia Estado

Ninguém na história da Fórmula 1 perdeu tantos títulos quanto o inglês Stirling Moss. Apontado como piloto mais rápido do mundo no fim dos anos 50, ele teve sete chances de ser campeão, mas acabou com quatro vice-campeonatos e três terceiros lugares, entre 1955 e 1961. Durante seu auge, Moss chamava a atenção por sua velocidade, mas não tinha a constância de Juan Manuel Fangio e Jack Brabham, seus principais adversários.

Mais de meio século depois, a história de um piloto que parece condenado aos vice-campeonatos volta a se desenhar. O GP do Brasil, no domingo, pode dar o título da Fórmula 1 ao inglês Jenson Button, tirando mais uma vez a chance de Rubens Barrichello ser campeão - o brasileiro já foi vice em 2002 e 2004. Para Moss, Rubinho tem potencial para ser campeão. Mas precisa de um desempenho perfeito em Interlagos e Abu Dabi.

"Ele deve pilotar como sempre fez: rápido, mas com a devida cautela. E, se tiver uma oportunidade, não pode deixar de aproveitá-la", disse o inglês de 80 anos, ao aconselhar o brasileiro para a disputa do GP do Brasil, que acontece domingo, em Interlagos. Segundo Moss, os três pilotos que ainda brigam pelo título na atual temporada - Button, Barrichello e o alemão Sebastian Vettel - merecem entrar na lista de campeões da Fórmula 1.

"Se Button conquistar o título, e acho que vai conquistar, será merecido. Também acho Barrichello muito competente. E, com um carro certo, uma estratégia boa e apoio da equipe, ele pode ser campeão. Vettel, por sua vez, é um dos melhores pilotos da atualidade, ao lado de Hamilton e Alonso", avaliou o inglês.

Mesmo sem ter sido campeão na Fórmula 1, Moss conquistou o respeito de todos os adversários, tendo uma carreira de sucesso também em competições de carros esporte. Ele aposentou-se aos 39 anos, em 1962, depois de um grave acidente no circuito de Goodwood, na Inglaterra. E, sem ressentimentos, garante que a falta de um título da Fórmula 1 no currículo não incomoda.

"Não, não sinto falta do título. Já naquela época, depois de um ano ou dois, eu deixei de me importar. Eu tinha o respeito dos outros pilotos e era considerado o mais rápido, então passei a correr apenas para vencer as corridas. Infelizmente, os carros naquela época eram muito frágeis, então havia muitas quebras. Participei de 319 corridas entre 1954 e 1962 e terminei apenas 236. Mas, em compensação, venci 137 delas, mais da metade", contabiliza o inglês, somando sua participação em outras categorias.

O dono de quatro vice-campeonatos da Fórmula 1 jamais conseguiu desligar-se do automobilismo. Depois que parou de correr, teve equipe na Fórmula Ford, participou de eventos de automobilismo histórico e distribuiu uma coleção de opiniões polêmicas. "A Fórmula 1 virou um grande negócio, não é mais um esporte. Basta ver o que fizeram no GP de Cingapura de 2008", afirmou Moss, entrando no mais recente escândalo da Fórmula 1. "Não entendo como um piloto pode fazer aquilo. E menos ainda como alguém pode ordenar que um piloto bata de propósito!"

Apesar das críticas, ele revela que a paixão pela categoria continua. "Eu assisto todas as corridas pela TV, não perco uma", contou o inglês. Talvez as críticas de Moss guardem, sim, um certo ressentimento por nunca ter sido campeão. Mas, se a Fórmula 1 deixou de dar um título ele, a Rainha da Inglaterra não perdeu a oportunidade. Pelos serviços prestados ao automobilismo do país, Moss tornou-se Sir, como Oficial da Ordem do Império Britânico. Um título para poucos.



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