Fórmula 1: Niki Lauda culpa italianos por crise na Ferrari
Escuderia, que venceu o Mundial de construtores em 2008, ainda não fez pontos na temporada 2009
MANAMA, Bahrein - Para um dos maiores ídolos dos torcedores da Ferrari, o austríaco Niki Lauda, campeão mundial pela escuderia em 1975 e 1977, a atual fase da equipe, sem marcar pontos nas três primeiras etapas do campeonato (o pior início de ano desde 1981), tem um culpado: os italianos, povo que o idolatra até hoje.

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A gestão do time depois das saídas do francês Jean Todt, diretor geral, e do inglês Ross Brawn, responsável técnico, é de dirigentes italianos, como o substituto de Todt, Stefano Domenicali. "Os italianos passaram a controlar tudo. Pode ser o caos, esse é o problema", afirmou em entrevista ao Daily News, da Inglaterra.
Há quem acredite que o seu período sem títulos, de 1980 a 1999, teve muito a ver com o duro diagnóstico de Lauda, que também já foi conselheiro da Ferrari quando Luca di Montezemolo assumiu a presidência de empresa, em 1992. "Falta solução de continuidade", explicou Todt, pouco tempo depois de assumir, em 1993, a direção esportiva da Ferrari. "Muda-se tudo de um ano para o outro. Isso não funciona. É preciso seguir uma estrada e, aos poucos, construir seu caminho para o sucesso."
Foi exatamente o que fez Todt. Sua filosofia permanece ativa, mas o que se questiona é a falta de uma liderança forte como a do francês, em que cada integrante do grupo saiba, exatamente, sua função e responsabilidade, assim como tem consciência de como elas serão cobradas com rigor. Agora, quem se desloca por entre os funcionários do grupo nos autódromos compreende rápido haver certa permeabilidade entre uma e outra função, bem como a ausência de um líder que se imponha, para quem deve convergir as definições mais importantes. A descentralização excessiva da equipe, por conta da natureza expansiva dos italianos gera consequências na manutenção do foco de suas ações.
"Ross Brawn, por ser inglês, formava a ponte ideal entre os italianos, com sua cultura do spaghetti, e Michael Schumacher, com sua eficiência germânica", definiu Lauda. Com a espinha dorsal da escuderia formada por Montezemolo, Todt, Brawn, o sul-africano Rory Byrne, no projeto dos carros, e o excepcional Schumacher, a Ferrari foi campeã cinco vezes seguidas, de 2000 a 2004.
Domenicali, engenheiro dos mais capazes, adota filosofia muito mais liberal que Todt. Pode ser que a Ferrari esteja vivendo apenas a fase de adaptação a essa nova forma de trabalhar, mas é inegável que ao menos por enquanto não está dando resultado.
TUDO DIFERENTE
No ano passado, a Ferrari ficava pensando como derrotar a McLaren. E os ingleses, aos italianos. Essa disputa, na verdade, começou há bem mais tempo. O cenário agora, no entanto, é bem distinto. Na sexta-feira começam os treinos livres do GP de Bahrein, no circuito de Sakhir, quarta etapa do calendário. A Ferrari venceu as duas últimas edições da prova, com Felipe Massa.
Mas, desta vez, as equipes que ocupam a posição de estudar o adversário com maior atenção na luta pela vitória são Brawn GP e Red Bull. Neste ano, Ferrari e McLaren, ao menos nessa fase da competição, planejam como marcar pontos apenas. A primeira colocação parece distante numa análise realista.
A sensação do momento é a Red Bull, como havia sido a Brawn GP nas provas da Austrália e Malásia, vencida por seu piloto, Jenson Button. A dobradinha domingo na corrida de Xangai, na China, confirmou o que se imaginava desde a abertura do Mundial: a Red Bull tem o melhor carro dentre os que não dispõem de conjunto aerodinâmico semelhante ao de Brawn, Toyota e Williams, onde o difusor, porção final do assoalho, é seu principal componente. "Temos ótimos pilotos, um grande carro e uma nova versão do modelo RB005, com o difusor tipo Brawn, que está em curso", diz Christian Horner, diretor esportivo da equipe.
O genial projetista Adrian Newey não viajou à China para trabalhar na adaptação do RB005 ao conceito aerodinâmico dos três times que revolucionaram o início de temporada. Mas ele está tendo maiores dificuldades que seus colegas de Ferrari e McLaren, por exemplo, por causa do notável refinamento do conjunto traseiro do RB005, o mais baixo dentre todos os carros atuais. "Antes da prova de Mônaco não ficará pronto", falou Newey, citando o GP marcado para o dia 24 de maio.
O fato é que a Red Bull poderá confirmar já na sexta-feira, nos primeiros treinos livres do GP de Bahrein, ser mesmo um dos times que deverão lutar pelo título este ano. E um piloto, em especial, para isso, tem: o talentosíssimo Sebastian Vettel.
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