Governo intervém e assume os trabalhos da Copa do Mundo de 2014
Brasília e Fifa jogam o Comitê Organizador Local (COL) para escanteio
ZURIQUE – Faltando apenas 13 meses para a Copa das Confederações e 25 meses para a Copa do Mundo, o governo intervém na preparação da competição e, junto com a Fifa, assume a organização da Copa do Mundo. Nesta terça-feira, a Fifa anunciou que o governo passará a fazer parte do Comitê Organizador Local, pela segunda vez na história das Copas. A outra foi na África do Sul em 2010. Joseph Blatter, presidente da Fifa, ainda deixou claro que os interlocutores do projeto serão Jerome Valcke, secretário-geral da entidade, e o ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, sem citar nenhum dos membros do COL ou da CBF.
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Para altas fontes do governo, o anúncio é um reconhecimento do fracasso dos cartolas brasileiros na gestão e da necessidade de que o Planalto assuma um papel protagonista. O estadão.com.br revelou no fim de 2011 que a Fifa e o governo já haviam iniciado uma aproximação, deixando a CBF do já enfraquecido Ricardo Teixeira de lado. O grupo que o substituiu não convenceu a Fifa de que poderia tocar o projeto e a aliança com o governo acabou sendo concretizada nesta terça. As reuniões ocorrerão a cada seis semanas.
A pessoa escolhida para entrar no COL foi Luis Fernandes, secretário-executivo do Ministério do Esporte. Ele se recusa a falar em intervenção do governo. Mas admite que houve um sentimento mútuo de que essa aproximação seria “uma necessidade”. “Entramos numa fase decisiva da preparação e selamos a parceria em um outro patamar superior”, disse Fernandes, professor universitário. Além disso, Marco Polo Del Nero, representante do Brasil na Fifa, também passará a integrar ao COL.
Perguntado sobre o motivo de não terem feito isso antes e apenas no final do processo, Valcke admitiu: “Às vezes cometemos erros e temos que tomar decisões na vida, antes tarde do que nunca. Essa é a reflexão do dia”. “Essa decisão ajudará a superar desafios”, apontou Rebelo.
O anúncio ainda enterra uma das promessas de Teixeira, de que a Copa seria realizada por uma entidade sem a participação do governo. O Estado apurou que a decisão já havia sido costurada dias antes e apenas esperava uma oficialização de Rebelo, o que ocorreu ontem.
O COL tradicionalmente é uma estrutura independente e que apenas ganhou a intervenção do estado na África do Sul, país que sofreu com incertezas até às vésperas do Mundial. Segundo Valcke, a participação do governo naquele caso ocorreu por “questões óbvias”. Agora, essa necessidade volta a ser demonstrada com o Brasil, colocando o País no mesmo patamar dos sul-africanos.
“Essa é uma responsabilidade que nós dividimos com o Brasil e com seu governo. Sem contar com as possibilidades do governo e sem garantias, seria impossível organizar o Mundial”, declarou Joseph Blatter.
A reunião ainda serviu para colocar um fim à crise entre Valcke e o governo, pelo menos de forma pública. Blatter se encarregou de anunciar que os dois interlocutores do Mundial serão Rebelo e Valcke, obrigados agora a trabalhar juntos até 2014. “Não falamos mais de problemas pessoais. Isso está liquidado”, declarou. “Não há mais problema. Tudo foi resolvido”, insistiu o cartola.
Atualizado às 23h00
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