Iraque espera reverter punição olímpica; atletas culpam Bagdá
São sete atletas prejudicados pela suspensão imposta pelo COI por irregularidades na federação nacional
O Iraque pediu ao Comitê Olímpico Internacional (COI) para rever o veto a participação do país nos Jogos Olímpicos de Pequim e espera por um encontro com os dirigentes olímpicos em breve, afirmou neste sábado o ministro dos Esportes do Iraque.
Atletas iraquianos afirmaram ter ficado arrasados pelas notícias de que o COI confirmara a desqualificação do país para a Olimpíada pela "interferência política" no Comitê Olímpico Nacional do país.
"O governo do Iraque está tentando convencer o COI a mudar sua posição sobre a suspensão. O primeiro-ministro teve uma iniciativa e esperamos um encontro logo com o COI", afirmou o ministro dos Esportes e Juventude do Iraque, Jasem Mohamme Jaafar, à Reuters.
O governo do Iraque afirmou que dissolveu o Comitê Olímpico Iraquiano porque o órgão não tinha quórum e por não ter promovido novas eleições. O COI deu ao Iraque um prazo para remontar o comitê, mas o governo não o fez.
Os remadores iraquianos culparam as autoridades de Bagdá pela suspensão, mas afirmaram que continuarão a "treinar até o último fôlego", na esperança de reversão da decisão.
"Eu culpo o governo iraquiano. Ele interferiu no Comitê Olímpico, que não é um ministério iraquiano. Eles não tem o direito", afirmou na sexta-feira à Reuters Haider Nauzad, um dos integrantes da equipe de remo do Iraque.
Sete atletas iraquianos - dois remadores, um levantador de peso, um corredor, um arremessador de disco, um judoca e um arqueiro - conquistaram vaga em Pequim antes da punição ao país.
Por sua popularidade e ligações internacionais, os atletas se tornaram alvos da violência no Iraque, bem como suas famílias, e a infra-estrutura esportiva do país decaiu ao longo das décadas.
Mais de 100 atletas foram mortos no país desde a invasão americana em 2003.
Não está claro como as conversações de última hora poderão reverter a punição. O COI afirmou na quinta-feira que a presença dos atletas iraquianos em Pequim é "improvável", sugerindo que ainda há espaço para conversas.
Mas no mesmo dia, o ministro Jaafar afirmou à Reuters que o governo não iria rever sua decisão de desfazer o Comitê Olímpico.
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