Lula puxa lobby brasileiro em campanha do Rio 2016
Presidente está envolvido diretamente nas conversas com os 106 membros do COI que vão decidir a sede
A campanha do Rio pela Olimpíada de 2016 tem no presidente Luiz Inácio Lula da Silva um cabo eleitoral empenhado, que aproveita cada momento antes da votação de sexta-feira para promover a candidatura da cidade e tem conseguido uma boa resposta dos eleitores do Comitê Olímpico Internacional (COI).

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Desde que desembarcou na capital dinamarquesa na quarta-feira, o presidente está envolvido diretamente nas conversas com os 106 membros do COI que vão decidir entre Rio, Chicago, Madri e Tóquio numa das mais apertadas eleições olímpicas dos últimos anos.
Segundo o ministro do Esporte, Orlando Silva, Lula conta com a ajuda de tradutores de inglês e francês para dialogar com os representantes dos cinco continentes que participarão da votação.
"Nosso entusiasmo e convicção de que o Rio de Janeiro pode vencer essa disputa estão reforçados por essa repercussão positiva por parte da comunidade olímpica internacional", afirmou o ministro nesta quinta-feira, no hotel que serve de base para a delegação brasileira em Copenhague.
"Os contatos de ontem (quarta) e hoje (quinta) mostraram que a comunidade olímpica compreendeu a mensagem do Rio, a mensagem dos Jogos como instrumento para o desenvolvimento do Brasil, como instrumento de transformação da cidade", acrescentou.
O Rio, que é citado por sites especializados em escolhas olímpicas como favorito ao lado de Chicago, deposita sua esperança de realizar os Jogos pela primeira vez após duas tentativas fracassadas num bom relatório técnico feito pelo COI no último mês.
No entanto, agora há uma percepção de que os eleitores do COI são favoráveis à candidatura brasileira por sua possibilidade de ajudar no desenvolvimento do Brasil como um todo, de acordo com o ministro. "O que posso dizer é que são encontros muito produtivos com os eleitores", afirmou.
Na disputa particular com Chicago e o presidente dos EUA, Barack Obama, Lula não poupou esforços para aproveitar o tempo a mais em Copenhague do que o norte-americano, que chegará apenas horas antes da votação.
Em seu único compromisso do dia longe dos eleitores do COI, uma entrevista coletiva às 8 horas da manhã, o presidente inclusive aproveitou um bordão feito famoso no mundo por Obama para defender a realização dos Jogos no Brasil.
"Desta vez queremos olhar para o mundo e dizer: 'sim, nós podemos e vamos realizar essa Olimpíada'", disse o presidente, repetindo o slogan 'yes we can' da campanha que levou Obama à Casa Branca.
FESTA PREPARADA
Outro integrante-chave do lobby brasileiro, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, reafirmou as garantias financeiras para a realização dos Jogos na cidade e exaltou como ponto positivo da candidatura a boa situação econômica do Brasil após a crise financeira mundial.
"O Brasil hoje está numa situação econômica muito confortável. O Brasil enfrentou a crise e saiu da crise de uma maneira muito forte," afirmou.
No hotel onde a candidatura do Rio se concentra, dezenas de caixas com equipamentos de áudio e vídeo começaram a chegar durante a tarde para uma festa em caso de vitória da cidade, reflexo do otimismo brasileiro.
Um telão também foi instalado para que os envolvidos na candidatura da cidade que não irão à votação possam acompanhar o evento. No Rio, a festa está sendo preparada nas areias de Copacabana.
Na sexta, Lula será o principal orador entre os oito escolhidos pela candidatura do Rio para fazer a apresentação final junto aos membros do COI. Meirelles, o governador Sérgio Cabral, o prefeito Eduardo Paes, o chefe da candidatura, Carlos Arthur Nuzman, e o ex-presidente da Fifa, João Havelange, também vão defender o Rio.
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