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quinta-feira, 8 de janeiro de 2009, 10:33 | Online
Mano Menezes avisa: 'Quem escala aqui sou eu'
Técnico está animado com contratação de Ronaldo, mas diz que não será forçado a escalar o Fenômeno
Marcel Rizzo - Jornal da Tarde

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Para quem pensa que a presença de Ronaldo é pura invenção do departamento de marketing e vai ser uma dor de cabeça para o técnico, que terá de encaixá-lo em um esquema que deu certo em 2008, um engano. Meticuloso como sempre, Mano sabe o que cada peça de seu time pode produzir. Dos seis reforços contratados, incluindo o Fenômeno, todos têm uma explicação de como serão úteis em determinados jogos e esquemas táticos.
O treinador conversou com exclusividade com o JT no hotel em que a delegação está hospedada em Itu. E quem acha que o estilo gaúcho foi amenizado durante a temporada passada (quem não se lembra de Mano gesticulando como um garoto para os torcedores no dia do acesso?), é bom não ousar contestar o treinador em 2009. Sugerir que o marketing pode escalar Ronaldo, então, nem pensar: "Não temos dúvidas sobre quem escala o Corinthians".
O salário de Ronaldo será pago com dinheiro de patrocinadores, que obviamente terão interesse de vê-lo em campo a maior parte dos jogos. Você teme que em algum momento alguém peça para escalá-lo, mesmo se você souber que para aquele dia não há condição para isso?
Não tem nenhuma possibilidade de isso acontecer. E na verdade, quando você começa a pensar em uma contratação como essa, já prepara certos cuidados para deixar todos os pontos bem claros. Uma vez fui mal interpretado quando disse que não podíamos inverter a ordem do futebol: eu disse que primeiro é o futebol, depois a outras coisas que vêm com isso. O que disse era exatamente isso, que dentro do trabalho feito no Corinthians isso é prioritário. Não temos dúvida sobre quem escala o Corinthians.
Já imagina como o Ronaldo vai jogar?
Não tenho ideia, falo de uma ideia objetiva, para o Ronaldo. Precisamos ver e sentir como vai ser o retorno dele a trabalhar com bola. Aí sim esta capacidade de definição que ele tem vai ser explorada. Nossa equipe cria muitas oportunidades e com certeza vai colocá-lo em condição de definição.
Qual foi a maior virtude de seu time em 2008 que você gostaria de manter em 2009?
A tranquilidade de buscar a vitória, a partir da metade da temporada para a frente. Ali nós conseguimos atingir o entendimento de buscar cada resultado nos últimos jogos dentro de casa. O torcedor corintiano, pela maneira de torcer, acelera mais o jogo, e o jogador tem a tendência de ir nesse ritmo. Mas nós fomos amadurecendo, encontrando a maneira correta de achar o resultado positivo. Isso eu considero uma filosofia de jogo, uma maneira de jogar, que eu quero que a equipe mantenha este ano.
E o defeito que gostaria de corrigir nesta temporada?
Acho que precisamos evoluir com adversários mais fechados. Podemos encontrar alternativas e, na verdade, fomos buscar com a montagem do plantel. Nós temos um jogador de área agora, o Souza, e um segundo volante, o Túlio, que joga de maneira diferente do Elias. Tínhamos condição de saída forte com o Elias, mas nem sempre é possível jogar com essa saída forte. Temos agora outra alternativa de beirada de campo, que estava concentrada no Dentinho, e tínhamos dificuldade quando ele saía do time. Fomos buscar o Jorge Henrique para isso.
Talvez a posição de volante seja a que te dê mais dor de cabeça, com Fabinho, Túlio, Elias, Fabinho...
Nós vamos ter variações de esquema. Posso adiantar o Elias em determinados momentos, que era como ele jogava na Ponte Preta, principalmente sem o Morais (suspenso) no início da temporada.
Você ficou frustrado com a não renovação do Herrera?
Eu não tenho muito esse tipo de frustração no futebol. Temos que fazer aquilo que tem que ser feito. Muitas vezes a negociação chega em certo patamar de valores que não é viável. Não que você não possa fazer um esforço extremo para essa contratação, mas por que fazer aquele investimento se é muito alto para aquele jogador. E no caso do Herrera chegou-se nesse patamar. A intenção deles lá era aproveitar o momento dele no Corinthians, o sentimento do torcedor, e fazer pressão na nossa diretoria para conseguir o maior valor.
Uma surpresa aqui em Itu foi a não utilização do volante Carlos Alberto, que foi elogiado por você em 2008. Por que essa decisão?
Porque temos um número grande de volantes, e seria um desperdício deixar o Carlos Alberto sem ser utilizado. Ele é um jogador que pode ser muito bem utilizado, e como sabíamos que ele tinha mercado, optamos por escolher ele entre os jogadores que não viriam. Tanto que já está no Atlético Mineiro. Quando o Leão conversou comigo sobre ele só tive coisas boas para falar.
É normal essa troca de telefonemas entre treinadores quando se trata de reforço?
Depende do tipo de relação que você tem com o técnico, depende também do nível de confiança que você tem para perguntar alguma coisa. Também às vezes depende da humildade de você entender que o outro profissional pode te passar algo que você não sabe.
O Jean, zagueiro recém-contratado e que estava no Grêmio, disse que quem quiser saber as contratações do Corinthians tem que olhar para o Sul. Você realmente prefere jogadores que atuam no futebol gaúcho?
Não tenho essa pretensão de que jogadores só nascem ou jogam bem em uma região do país. O Corinthians é formado por jogadores de todos os lugares. O Jean não está aqui porque jogava no Grêmio, mas porque pode jogar tanto pela direita quanto pela esquerda. Pode substituir o Chicão e o William.
O Flávio Trevisan, antigo preparador físico, saiu dizendo que você poderia ter se esforçado um pouco mais para ele permanecer. Até que ponto você teria esse poder?
O futebol não é assim tão separado. Quando vai decidir sobre renovação todos nós conversamos. E às vezes quando existe uma intransigência das partes não acontece o acordo, e aí todos seguem suas vidas. O Flávio sabe disso, e eu respeito muito ele, um grande profissional.
O que acha de mandar alguns jogos no Parque São Jorge e de treinar no CT de Itaquera?
Vamos esperar um pouco mais para ver como vai ser essa reforma. É preciso tomar cuidado com relação à estrutura do estádio. Principalmente com a presença tão grande dos torcedores. Agora, o gramado vai ser todo mexido. Independentemente de jogar lá ou não precisamos melhorar. Fazer isso num primeiro momento para poder treinar melhor. Já em Itaquera espero que seja o menor tempo possível. A maioria do nosso elenco mora próximo ao Parque e fica mais fácil por causa do trânsito.
O Mano Menezes já se vê em 2010 trabalhando na Europa, que é seu grande sonho, ou ainda é cedo?
Eu pretendo permanecer no Brasil mais alguns anos. Preciso firmar um conceito sobre o trabalho, e somente se consegue isso repetindo bons trabalhos no Brasil. Gosto de trabalhar no Brasil, de fazer o futebol brasileiro continuar sendo o melhor do mundo. E não faço projeções tão longas.
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