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‘Minha fé vai me manter nas pistas’, diz Rubinho

Perto dos 40 anos, Rubens Barrichello corre atrás de investidores para seguir na modalidade que pratica desde 1993

19 de novembro de 2011 | 14h 58
Livio Oricchio - O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - Da estreia na Fórmula 1, no dia 14 de março de 1993, com a Jordan, à última etapa disputada do campeonato deste ano, o GP de Abu Dabi, dia 13, pela Williams, Rubens Barrichello participou de impressionantes 324 provas da competição, recorde absoluto de longevidade. O alemão Michael Schumacher, segundo nesse ranking, largou 287 vezes no Mundial. Embora Rubinho já tenha sido duas vezes vice-campeão, em 2002 e 2004, com a Ferrari, e possua situação financeira bastante tranquila, sequer lhe passa pela cabeça que o GP do Brasil, domingo, possa ser o último da carreira.

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'Um dia terei de parar. E se agora essa for a vontade do Senhor, então seguirei o caminho' - Ayrton Vignola/AE
Ayrton Vignola/AE
'Um dia terei de parar. E se agora essa for a vontade do Senhor, então seguirei o caminho'

Nessa conversa exclusiva com o Estado, em São Paulo, Rubinho, o piloto mais controverso que o Brasil já teve na F-1, perto de celebrar 40 anos de idade, afirmou: “Minha vontade de continuar na Fórmula 1 é tanta que nos dois últimos meses eu visitei bem mais empresas de quando buscava patrocinadores para correr no exterior, em 1990”. Hoje existe uma lista de jovens pilotos, todos com importantes investidores atrás de si, desejando correr na renovada Williams em 2012. Seria fácil para Frank Williams e Adam Parr, diretor da escuderia, escolher um deles.

“Mas eles sabem que se puderem contar comigo terão velocidade e experiência”, diz Rubinho, confiante em poder manter a vaga. O time inglês aguarda a eventual chegada de um grande patrocinador árabe, do Catar, que implicaria até a volta de Kimi Raikkonen, ou uma das empresas procuradas por Rubinho decidir investir. “Estamos oferecendo uma forma distinta de participação no projeto, não apenas a exposição da marca, mas algo personalizado, taylor made, como dizem os ingleses.”

No fim de 2008, Rubinho experimentou situação semelhante à atual. “Também corri em Interlagos sem um documento que me garantisse em 2009. E em fevereiro assinei com a Brawn GP, o que me deu a chance até de disputar o título.” E conta um detalhe até então desconhecido: “O Ross Brawn me avisou que precisavam de dinheiro para terminar o campeonato. Portanto, se até a quarta corrida aparecesse alguém com patrocínio eu teria de ceder a vaga”. Não foi necessário.

O que o fez ter certeza de que seguiria na F-1 no fim de 2008 foi sua fé. “A mesma que sinto hoje”, afirma. “Possuo uma tatuagem no braço com as iniciais dos nomes de meus filhos, F, de Fernando, e E, de Eduardo”, explica o piloto da Williams, antes de demonstrar seu caráter ecumênico. “O rapaz que fez a tatuagem sugeriu colocar um acento nas duas letras juntas e ficou fé, adorei, pois sou um homem de fé. Em todo país que vou sempre visito igrejas, mesquitas, sinagogas, não importa, todas têm muito a oferecer.” Há no seu capacete uma grande estrela da David. “Sou católico, não judeu, mas amo a mensagem dessa estrela, a união do céu com a terra.”

E se apesar da fé as condições não permitirem sua permanência na Fórmula 1 e a corrida de Interlagos for mesmo a sua última no Mundial? “Sou uma pessoa feliz pelo simples fato de, com 20 anos de carreira na Fórmula 1, estar lutando para ter outra chance”, diz. “Temos de estar preparados para tudo. Um dia terei de parar. E se agora essa for a vontade do Senhor, então seguirei o caminho, quem sabe para ser ainda mais útil a meus filhos, que estão crescendo.”

Eduardo tem 10 anos e Fernando, 6. Ambos respondem ao repórter o que desejam para o pai nesse momento de definição profissional. O mais jovem não tem dúvida: “Pare de correr”. Por quê? “Para ficar comigo.” Eduardo pensa como a mãe, Silvana, casada com Rubinho desde 1997: “Continuar na Fórmula 1 vai deixar meu pai muito contente, portanto torço por isso”.

Atualizado às 14h43 para correção de informação

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