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MP sugere reduzir para 5% presença de visitantes em estádios

Procurador Paulo Castilho diz que esta seria uma maneira mais eficiente de evitar problemas como os do clássico

16 de fevereiro de 2009 | 10h 23
Redação

SÃO PAULO - A confusão entre torcedores corintianos e a Polícia Militar nas arquibancadas do Morumbi após o clássico de domingo ainda gera polêmica. Para o procurador do Ministério Público Paulo Castilho, que esteve no estádio, é preciso reduzir ainda mais a presença dos visitantes para evitar problemas.

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Segundo ele, o ideal seria que a torcida visitante ficasse com apenas 5% da cota total de ingressos, e não 10%, como aconteceu no Morumbi.

"É muito mais fácil para a polícia trabalhar com menos gente. Quanto menor a presença do público visitante mais você reduz os problemas no estádio", declarou. Ele afirmou ainda que pretende levar este projeto adiante.

CONFUSÃO

De acordo com informações da Polícia Militar, 21 pessoas ficaram feridas no confronto, mas nenhuma corre risco de morte.

A versão dos torcedores é de que a polícia foi para cima deles depois que correram para escapar da chuva. Os policiais pensaram que era briga e o tumulto aconteceu. O Tenente Coronel Hervando Velozo, do 2.º Batalhão de Choque da PM, responsável pela segurança nos estádios, deu a versão oficial da PM.

"Todo o procedimento estava sendo feito de acordo com o planejado, sem problemas. Esperamos uma hora até toda a torcida do São Paulo sair. Depois disso, os corintianos estavam saindo quando, de um estacionamento anexo ao Morumbi, explodiu uma bomba. Cerca de 500 torcedores foram para cima da nossa patrulha. Estávamos em cinco. Acuados, os policiais lançaram três bombas (duas de efeito moral e uma de gás lacrimogêneo) para se defender. Os outros que estavam mais atrás ficaram com medo e voltaram correndo", explica Velozo. "A polícia não faria isso. Só reagiu porque a torcida foi para cima."

Foi aí que muitos corintianos foram pisoteados, e alguns desmaiaram. As vítimas, a maioria com fraturas expostas nos braços e nas pernas, foram levadas aos hospitais São Luiz, Campo Limpo e Albert Einstein. Ambulâncias não paravam de deixar o Morumbi levando feridos no domingo.

PREJUÍZOS

O superintendente de futebol do São Paulo, Marco Aurélio Cunha, foi hostilizado por torcedores corintianos quando apareceu para ver os feridos.

"Isso só mostra que o São Paulo está certo em restringir os visitantes para proteger seu patrimônio. Está provado que, por mau comportamento dos cidadãos, quanto menos gente, melhor", destacou o cartola.

Além dos torcedores machucados, Velozo enumera o saldo da briga. "Banheiros, portas, extintores, grades, vidro, cadeiras...Tudo foi destruído. O prejuízo foi muito grande. Tivemos também dois policiais feridos, mas sem gravidade." A direção do São Paulo afirmou que mandará a conta dos estragos para o Corinthians.

MAIS CONFUSÃO

Antes do início da partida, a cavalaria teve de agir rápido na entrada pelo portão 15 - desta vez, para conter os são-paulinos. Os torcedores jogaram pedras, garrafas de vidro, latas e fogos de artifício nos policiais. O ministro do Esporte, Orlando Silva, que também entrou pelo portão 15, escapou por pouco mais de dez minutos da confusão.

Dos 6.500 ingressos destinados aos corintianos, 1.600 não foram vendidos e acabaram devolvidos ao São Paulo. Apesar disso, o Morumbi recebeu um bom público: 33.991 pagantes. Mas, para um clássico, ficou devendo. Com entradas sobrando, os cambistas eram poucos - e muito discretos - nas proximidades do estádio.

CONFORTO?

O torcedor ficou decepcionado com as promessas de conforto do Setor Visa, ao menos no que diz respeito à rapidez no acesso ao estádio. Se não teve de enfrentar filas na hora de comprar os ingressos para a área - cujas vendas são feitas pela internet -, precisou de paciência para chegar ao lugar comprado.

O sistema de leitura dos cartões de crédito, que funciona diretamente nas catracas, estava lento e atrasou a entrada do público. Poucos minutos antes do início do jogo, ainda havia torcedores na rampa de acesso do portão 16.  (Com O Estado de S.Paulo)




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