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Na matemática das marcas, atletismo está perto do pódio olímpico

15 de julho de 2008 | 17h 14
PEDRO FONSECA - REUTERS

A 24 dias da cerimônia de

abertura da Olimpíada de Pequim, os números vão além da

contagem regressiva na preparação dos brasileiros para as

modalidades mais tradicionais dos Jogos. Nas piscinas e pistas,

os atletas buscam centímetros ou segundos que podem ser

decisivos em suas apresentações.

Para as saltadoras Maurren Maggi e Fabiana Murer, bastaria

repetir o que já fizeram este ano para voltarem da China com

uma medalha na bagagem, caso nenhuma adversária consiga superar

o que já fez em 2008.

Os nadadores Thiago Pereira e César Cielo conseguiriam, no

máximo, uma final olímpica se não ganharem segundos preciosos

em suas provas. E a dificuldade seria ainda maior caso o número

de norte-americanos por prova não fosse limitado a dois.

"O atleta que está na frente (no ranking) já entra como o

homem a ser batido, o que é uma pressão grande. Todos os outros

entram olhando para ele", disse à Reuters o técnico de

atletismo Lauter Nogueira. "Matematicamente, ele tem mais

chances, mas tem que aguentar a pressão."

Maurren Maggi, vivendo o melhor momento da carreira desde

que foi suspensa por doping em 2003, possui atualmente a

segunda melhor marca do mundo em 2008 no salto em distância,

6,99 metros. Na carreira, seu melhor salto foi 7,26 metros, em

1999.

A marca, alcançada em junho com vento contrário, fica atrás

apenas dos 7,04 metros alcançados pela russa Lyudmila

Kolchanova, que lidera o ranking mundial da modalidade. O salto

de Kolchanova teve auxílio do vento, mas dentro do limite

permitido.

A brasileira ainda é dona do quarto melhor salto do ano

(6,95 metros), enquanto a adversária tem o único salto entre os

10 melhores da temporada.

No salto com vara, Fabiana Murer é a 3a melhor atleta do

ano. Numa prova que a medalha de ouro dificilmente não ficará

com a recordista mundial Yelena Isinbaeva, da Rússia, a

brasileira se aproximou do pódio ao conseguir o melhor

resultado da carreira no mês passado, ao saltar 4,80 metros.

Isinbaeva, com o recorde mundial de 5,03 metros, tem a

melhor marca de 2008, enquanto a norte-americana Jennifer

Stuczynski, com 4,92 metros, vem em seguida.

"Nos Jogos Olímpicos existe todo um procedimento, estresse

físico, psicológico...os atletas não correm para buscar tempos,

para atingirem o ápice, eles correm para buscar medalha. Existe

um grau de competitividade, olhares de milhões de pessoas estão

voltados para eles", acrescentou o técnico.

"A Isinbaeva, ela é diferente, talvez seja uma das únicas

com chances de quebra de recordes na Olimpíada", opinou.

O vice-campeão mundial do salto triplo Jadel Gregório é

outra esperança brasileira no atletismo, mas por enquanto não

conseguiu um resultado expressivo em 2008. Ele é apenas o 6o

melhor atleta do ano, com 17,28 metros, empatado com o

compatriota Jefferson Sabino.

Jadel, entretanto, tem como recorde pessoal a marca de

17,90 obtida no ano passado, recorde sul-americano da prova. Se

tivesse repetido seu melhor, ele seria o líder do ranking

mundial, à frente do britânico Phillips Idowu.

Idowu lidera a lista com 17,58 metros, à frente do cubano

Arnie Daavid Girat (17,50 metros) e de Randy Lewis (17,49

metros), de Granada.

NATAÇÃO

Na piscina de Pequim, os dois principais nadadores do país

terão que superar o melhor que já fizeram até agora para levar

o país novamente ao pódio, depois de o esporte ter ficado sem

medalhas em Atenas-2004.

César Cielo, que este ano disse que chegaria a nadar

próximo ao recorde mundial, é apenas o 9o do ranking em 2008

nos 100 metros livres, e está uma posição atrás nos 50 metros.

Apesar de ser beneficiado pela não classificação para os

Jogos dos norte-americanos Benjamin Wildman Tobriner e Gary

Hall, ambos com tempos melhores que o seu este ano, Cielo ainda

está longe do pódio.

Seu melhor tempo no ano é 21s90, ante 21s28 do recordista

mundial Eamon Sullivan, da Austrália, que fez o tempo este ano.

Hoje em dia, o terceiro na lista é o norte-americano Garrett

Weber-Gale, com 21s47.

Nos 100 metros, o brasileiro tem como melhor tempo no ano

48s34, ante 47s50 do francês Alain Bernard, o recorde mundial.

Sullivan é o 2o, com 47s42, e o norte-americano Jason Lezak vem

em seguida, com 47s58.

Já o multicampeão pan-americano em 2007 Thiago Pereira terá

pela frente o fenômeno norte-americano Michael Phelps em suas

duas provas, os 200m e 400m medley. Phelps lidera o ranking

mundial e tem o recorde mundial em ambas as distâncias.

Além do ouro praticamente certo de Phelps, os EUA também

são fortes candidatos à prata, com Ryan Lochte, que segue de

perto o rival nos dois rankings.

O brasileiro aparece melhor nos 400m, em quinto lugar, com

4min12s90, contra 4min05s25 de Phelps e 4min06s08 de Lochte. O

terceiro é o húngaro Laszlo Cseh, com 4min07s96. O trio também

lidera os 200m, que tem Thiago em sétimo.

(Reportagem adicional de Pedro Belo)



Tópicos: OLIMP, TEMPOS, MATEMATICA

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