Nadadores brasileiros aprovam uso do macacão polêmico
Thiago Pereira já testou o traje e Gustavo Borges avisa que este 'não nada sozinho'
O maiô da polêmica já foi testado por um brasileiro, o mais importante nome da natação do país, Thiago Pereira,que ganhou oito medalhas no Pan do Rio (seis de ouro). Thiago já usou um modelo leg (calça) em duas ocasiões na temporada, no GP de Missouri, nos Estados Unidos, em fevereiro (quando o produto foi lançado), e no Sul-Americano de São Paulo, em março. E aprovou. Mas acha que ainda é precipitado dizer se o traje pode ter grande influência na performance. Mas não nada sozinho.O seu técnico, Fernando Vanzella, resume: o resultado é um somatório de fatores e o maiô nem é o principal. Resultados dependem de preparo e até de uma noite bem dormida. Veja também: Australiana bate recorde mundial dos 50 metros livre Traje influencia recordes e preocupa natação Macacão de natação pode ser considerado doping? Juntamente com Nicholas dos Santos, Thiago Pereira é um dos nadadores do grupo de patrocinados pela Speedo no mundo, e tem acesso ao produto. Mas a Confederação Brasileira de Natação (CBDA) informou que todos os nadadores que tiverem índice olímpico (até agora são 11 os brasileiros selecionados) para os Jogos de Pequim, em agosto, terão a peça. O Comitê Olímpico Brasileiro tem acordo com a fabricante para o fornecimento do material à seleção de nadadores. Na primeira vez em que usou o maiô, Thiago teve problema com a peça - entrou água na calça -, uma questão de ajuste na cintura. Na segunda vez, acha que o maiô ajudou na performance. Foi nas eliminatórias dos 400 m medley, no Sul-Americano, no Pinheiros, quando, apesar de ‘pesado’ (está numa fase de treinos de base, intensos), fez o tempo do índice olímpico. No restante da competição, Thiago nadou de sunga, justamente para dificultar, já que está em período de treinamentos duros. DIFERENÇA
"Ele se sentiu flutuando com a calça que parece feita de um tecido um pouco emborrachado. Fez 4min17, um tempo bem significativo porque não estava no melhor de sua condição física. Mas acho que ainda precisamos esperar um pouco para tirar alguma conclusão sobre o traje. É um pouco cedo para falar", observa o técnico Fernando Vanzella. "Ainda não sei dizer se faz grande diferença. Pelo menos o efeito de marketing foi muito bom." Nem o fato de 16 dos 17 recordes terem sido quebrados por nadadores que estavam usando o maiô pode ser conclusivo sobre a nova tecnologia. Vanzella observou que a peça não pode ser importante a ponto de tirar o brilho da conquista do próprio atleta. "Será que o Popov (ex-recordista mundial) faria 47 segundos com o maiô ou um velocista novato que está começando? Ou o maiô faz diferença quando é usado por um nadador polido, raspado, muito bem treinado e preparado para uma competição?" NÃO É TUDO
O ex-nadador Gustavo Borges, que chegou a usar o fastskin (pele de tubarão), um lançamento, em 2000, na Olimpíada de Sydney, é ainda mais radical: "O maiô não nada sozinho. Então seria como colocar o equipamento em qualquer um e dizer: ‘vai lá, bate o recorde mundial’". Mas Gustavo admite que todos os nadadores querem ter acesso a tecnologia. Em Sydney, a banca da marca do fast skin, teve fila de nadadores em busca da peça. A nadadora Fabíola Molina, que está em Ispra, no Lago Maggiori, Itália, treinando para o Mundial de Piscina Curta de Manchester (ING), de 9 a 13 de abril, ainda não experimentou a vestimenta. Observa que apenas a italiana Federica Pellegrini, que quebrou o recorde dos 400 m livre, um dentre os 17 recordes batidos nesse início de temporada, não estava usando o traje. "Pelo que me contaram, lembra um pouco roupa de mergulhador", observa a nadadora, que tem índice olímpico nos 100 m costas. APOIO
Fabíola acha que o uso de novas tecnologias ajuda. "Não é apenas um fator psicológico." E está de acordo com isso, desde que seja discutido e aprovado pela Federação Internacional de Natação (Fina) e disponível para todos. "Hoje, eu uso um macacão que não usava há oito anos, quando fui para Sydney. E acho que ajuda, mas se alguns atletas usarem e outros não... não seria justo." Fabíola observa que a peça custa US$ 800. O diretor-técnico da CBDA, Ricardo Moura, observa que o número de recordes batidos nesse início de temporada provocou o debate entre nadadores, técnicos, dirigentes e fabricantes. Antes dos Jogos de Atenas, em 2004, foram quebrados oito recordes no total. Agora, já são 17, 14 em provas olímpicas, e ainda faltam mais de 80 competições em todo o mundo antes da Olimpíada. As seletivas norte-americanas serão apenas em julho. "A polêmica provocará novas reflexões e poderá alterar regras oficiais. O debate está satisfazendo o fabricante e diminuindo a atenção para os principais protagonistas, os atletas. Nenhum traje pode ser mais importante que o feito realizado pelo nadador", diz Moura.
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