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O último capítulo da 'Enciclopédia' Nilton Santos

Maior lateral-esquerdo de todos os tempos, Nílton Santos morre aos 88 anos no Rio

28 de novembro de 2013 | 7h 18
Wilson Baldini Jr. - O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO - O futebol perdeu ontem parte de sua técnica e elegância. Aos 88 anos, morreu no Rio de Janeiro Nilton Santos, o maior lateral-esquerdo de todos os tempos. Ele estava internado na Fundação Bela Lopes, em Botafogo. E não poderia partir em outro lugar, pois só vestiu duas camisas em 16 anos de carreira: a do Botafogo (1948 a 1964) e a da seleção brasileira. "Agora um jogador atua em dois times no mesmo ano", afirmava, indignado com a falta de fidelidade dos jogadores. Nilton ficou conhecido como "A Enciclopédia" porque, de fato, sabia tudo de futebol.

Era um jogador à frente de sua época. Ao contrário dos outros laterais daqueles tempos, gostava de ir ao ataque. Na Copa do Mundo de 1958, no jogo contra a Áustria, levou uma bronca do técnico Vicente Feola por ter passado do meio do campo. "O Feola dizia: 'Onde vai esse louco?'", recordava Nilton. Ele, então, fez uma tabela com Mazzola e, na saída do goleiro austríaco, deu um toque sutil, com sua classe, e fez o segundo gol do Brasil.

Pelo Botafogo, foram 729 jogos, com 11 gols e 26 títulos. Nos 16 anos de clube, muitas vezes, segundo a lenda, Nilton Santos assinou contratos em branco. "Eu fazia o que gostava e ainda recebia salário. Era bom demais", comentava, feliz. "Quando as pessoas falam que se jogássemos hoje ficaríamos ricos, eu não invejo o dinheiro que eles têm. Eu invejo é a liberdade que eles têm de jogar, de poder marcar e atacar."

Pelo clube alvinegro, foram quatro títulos cariocas, ao lado de mitos como Manga, Garrincha, Didi, Quarentinha, Amarildo e Zagallo. Na seleção, fez três gols em 84 jogos. Ficou no banco na trágica derrota na final da Copa de 50. Jogou em 54 e foi bicampeão em 58 e 62.

SEM CARRINHO
Clássico, Nilton jamais dava carrinhos para tirar a bola dos pés de seus adversários. Mas ele era malandro. Na Copa de 62, no Chile, teve sangue-frio para fazer um pênalti contra a Espanha e dar dois passos à frente da linha da área para o juiz anotar apenas a falta. Em pesquisa da revista Placar para a eleição do maior time do Botafogo de todos os tempos, feita nos anos 80, Nilton Santos recebeu os 30 votos possíveis, mesma pontuação de Garrincha. Os dois gênios foram os únicos a ter votação máxima.

O COMPADRE
Nilton gostava de lembrar como conheceu o "compadre". Contava: "Eu vi aquele cara todo torto e pensei que era só mais um fazendo teste no Botafogo. Ele veio, balançou e tocou a bola no meio das minhas pernas." Nilton, então, dirigiu-se ao técnico Gentil Cardoso e cochichou: "Contrata este torto. Ele é gênio". A partir dali, a dor de cabeça ficou principalmente para Flamengo, Fluminense e Vasco. "Eu dormia sempre sossegado", dizia, rindo. Nilton sentiu muito quando o compadre se foi, há 30 anos.

O craque começou a jogar futebol em um time amador de Flecheiras, uma praia da Ilha do Governador. Aos 17 anos, tornou-se profissional no Botafogo. Sob a direção do técnico Zezé Moreira, começou como meia-esquerda, mas, por imposição de Carlito Rocha, ex-goleiro e folclórico presidente do clube, passou a atuar como quarto-zagueiro e, mais tarde, como lateral-esquerdo.

Não gostava de levar desaforo para casa. Em 1965, o polêmico árbitro Armando Marques se aproximou de Nilton Santos com o dedo em riste num jogo entre Corinthians e Botafogo, no Pacaembu. Nem bem Marques começou a falar recebeu um tapa de Nilton. Seu alto conceito o levou a não ser severamente punido. A atitude chegou a ser elogiada por Nelson Rodrigues em uma de suas crônicas.

Nilton se orgulhava de jamais ter perdido uma final de campeonato. E teve seu talento reconhecido em vida. Foi eleito em 1998, pela Fifa, o melhor lateral-esquerdo de todos os tempos. Uma estátua dele foi erguida no Engenhão, mas nada disso era necessário. Seus feitos pelos gramados do mundo jamais serão esquecidos. Nilton Santos é imortal.


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