ONG de direitos humanos pede que Brasil investigue volta de cubanos
Em carta ao governo, Human Rights Watch se disse ''preocupada'' com o caso.

A ONG de direitos humanos Human Rights Watch (HRW) enviou carta nesta sexta-feira ao ministro da Justiça, Tarso Genro, manifestando preocupação com "a possibilidade de que o Brasil não tenha tomado medidas" para proteger os boxeadores cubanos Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara.
Os dois atletas estiveram no Brasil no mês passado para os Jogos Pan-Americanos, no Rio de Janeiro. No dia 22 de julho, eles desapareceram da Vila Olímpica e só foram encontrados no dia 2 de agosto, em Araruama (RJ).
Em 3 de agosto, eles foram ouvidos pela polícia brasileira, e no dia seguinte, voltaram para Cuba.
Inicialmente, divulgou-se que os boxeadores teriam sido deportados. Em artigo na imprensa cubana, Fidel criticou os pugilistas, dizendo que "o atleta que abandona sua delegação é como um soldado que abandona seus companheiros em meio ao combate".
Mas nesta terça-feira, o governo brasileiro divulgou nota em que afirma que a decisão de voltar a Cuba foi espontânea dos cubanos e eles não foram deportados.
"Nos seus depoimentos, os atletas afirmaram ainda não desejarem refúgio, pois disseram ''amar o seu país, seus familiares, não ter problemas políticos ou religiosos, bem como são personalidades em Cuba''", afirma a nota do ministério da Justiça.
A carta enviada pela Human Rights Watch às autoridades brasileiras pede que o ministro investigue se "os direitos dos atletas foram adequadamente protegidos enquanto estiveram no Brasil" e que se assegure de que os pugilistas estão sendo bem tratados em Cuba.
"Estamos muito preocupados com a possibilidade de que o Brasil não tenha tomado medidas suficientes para assegurar que Rigondeaux e Lara recebessem as proteções legais às quais eles pudessem ter direito como refugiados em potencial", afirma a carta, que é assinada pelo diretor executivo da ONG, José Miguel Vivanco.
Uma cópia da carta foi encaminhada ao ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.
"O fato de que Rigondeaux e Lara desertaram uma delegação atlética oficial cubana sugere fortemente que eles pudessem estar interessados em pedir asilo ao Brasil", diz a carta.
O documento ressalta que mesmo que a solicitação de asilo político não tenha sido formalizada, alguns "pedidos de obtenção do status de refugiado podem ser sinalizados por ações, e não apenas por pedidos explícitos".
"Porque eles desertaram da delegação atlética nacional, é razoável suspeitar que Rigondeaux e Lara tivessem receio fundamentado de ser perseguidos ao retornar para Cuba."
Na quinta-feira, a Comissão de Relações Exteriores do Senado aprovou um requerimento do senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) convidando o ministro Tarso Genro para dar explicações sobre o caso no Congresso. A data ainda não foi marcada.
Em artigo publicado na terça-feira no jornal oficial de Cuba Granma, o presidente do país, Fidel Castro, disse que Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara desonraram a equipe nacional e não poderão mais representar Cuba em nenhum evento internacional, incluindo a Olimpíada de 2008, em Pequim.
Fidel também cogitou suspender o envio de uma delegação de pugilistas para o Campeonato Mundial de Boxe nos Estados Unidos em outubro.
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