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Parreira quer África do Sul jogando à brasileira

Técnico da seleção sul-africana procura dar identidade à equipe baseada no toque de bola veloz

10 de março de 2010 | 15h 22
Pedro Fonseca - Reuters

Para ensinar os jogadores sul-africanos o "estilo brasileiro" que deseja implantar em sua equipe para a Copa do Mundo, o técnico Carlos Alberto Parreira iniciou nesta quarta-feira um período de treinamentos de um mês que fará no Brasil com uma série de amistosos contra clubes do país.

Parreira treina africanos em Teresópolis - Wilton Júnior/AE
Wilton Júnior/AE
Parreira treina africanos em Teresópolis

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Parreira convocou 29 jogadores para o início da preparação da equipe anfitriã para o Mundial, e disse que a escolha pelo Brasil, especialmente pelo centro de treinamentos da seleção brasileira em Teresópolis (RJ), foi para inspirar seus atletas a adotarem um estilo brasileiro de jogar futebol.

"A ideia de trazê-los é porque aqui é o berço do futebol mundial. Grandes jogadores campeões do mundo com a seleção brasileira treinaram aqui. Quero que isso sirva de inspiração para os nossos jogadores", disse Parreira em entrevista coletiva.

O treinador, que retomou no fim do ano passado o posto de técnico da África do Sul no lugar de Joel Santana - a quem tinha passado o cargo em 2008 por problemas particulares - quer dar uma identidade ao time baseada no toque de bola com velocidade, característica tipicamente brasileira.

Segundo Parreira, o futebol sul-africano sofre com as formas de jogo muito distintas dos clubes do país, que são reflexo dos treinadores de vários países que trabalham por lá. Para o brasileiro, a África do Sul precisa jogar com a bola no chão.

"O futebol sul-africano não tem uma cara, há várias identidades, são treinadores de várias partes do mundo", disse.

"A nossa grande qualidade é colocar a bola no chão, então nada melhor que jogar no Brasil, contra equipes brasileiras, para que eles (jogadores sul-africanos) tenham esse sentimento de bola no chão. Esse é o estilo que melhor se adapta ao futebol deles."

Do grupo trazido ao Brasil, que disputará jogos-treino e amistosos contra Cruzeiro, Fluminense, Botafogo, Santos e Palmeiras, além de clubes menores, Parreira acredita que 15 jogadores estarão em sua lista final para o Mundial.

Os atacantes Benny McCarthy e Steven Piennar, maiores destaques da seleção que jogam no futebol inglês, não foram liberados por seus clubes para a viagem, que inclui também um amistoso contra o Paraguai, em Assunção, no dia 31 de março.

O período de um mês no Brasil, que depois será seguido por três semanas na Alemanha, também servirá para se afastar um pouco da pressão da torcida sul-africana sobre a equipe. Segundo Parreira, a cobrança vai muito além da meta estabelecida por ele de se classificar para a segunda fase do Mundial.

"Há uma pressão muito grande, o torcedor pensa com o coração. Eles querem que a seleção chegue na semifinal, na final, não querem saber se o time está bem no ranking da Fifa, eles querem é o resultado", disse Parreira.

A África do Sul, que venceu apenas dois dos últimos 10 jogos, fará a partida de abertura da Copa, contra o México, no dia 11 de junho. Uruguai e França completam a chave, considerada por Parreira uma das mais difíceis da Copa.



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