Patrocínio separa Luiz Razia da temporada 2012 da F1
À espera de um lugar ao sol na Fórmula 1, Luiz Razia é mais um brasileiro com boas chances de pilotar um dos carros da principal categoria do automobilismo mundial em 2012. Mas, assim como Bruno Senna e Rubens Barrichello, está com seu futuro indefinido.
Aos 22 anos, o piloto de testes da Lotus acredita ter 50% de chance de estar no grid de largada do GP da Austrália, em março, na abertura da próxima temporada. Suas possibilidades só aumentarão se conseguir patrocínio para bancar seu espaço na equipe.
"Depende do patrocínio. E hoje em dia não é fácil", constata Razia, sem esconder o ressentimento pela falta de apoio das empresas brasileiras. "Realmente não entendo porque as empresas não se disponibilizam para patrocinar. Não é um favor que eles estão fazendo. É um negócio, traz publicidade. É importante para eles", reclama.
Para Razia, as empresas brasileiras estão perdendo oportunidades de investimentos, principalmente agora quando o Brasil irá sediar os principais eventos esportivos do planeta: a Copa do Mundo, em 2014, e a Olimpíada do Rio, em 2016.
"Falta um plano de business bem feito. Existem empresas brasileiras que precisam fazer serviço de relacionamento fora do País. Na minha opinião, eles estão perdendo uma oportunidade", argumenta o piloto.
A necessidade de investimento na Fórmula 1 pode já ter causado prejuízo ao brasileiro neste ano. Escalado para ocupar o lugar do italiano Jarno Trulli no primeiro treino livre de sexta-feira, Razia tinha boas chances de ser um dos titulares da Lotus na corrida deste domingo, em Interlagos.
A equipe, contudo, preferiu manter Trulli e o finlandês Heikki Kovalainen no GP do Brasil, com o objetivo de garantir a premiação de R$ 23 milhões, pagos pela FIA ao décimo colocado no Mundial de Construtores. Assim, a Lotus, com seus titulares, não quer arriscar perder na última etapa do ano a posição cobiçada pelas rivais Hispania e Virgin.
Sem desanimar pela busca ainda frustrada por patrocínio, Razia ficou empolgado com seu desempenho no primeiro treino livre de sexta-feira. Ele fez o 20º tempo em sua segunda participação na categoria - também correu na primeira sessão livre do GP da China, neste ano.
"Eu estava tranquilo e foi muito bom. Gostei da minha performance e estou contente com o meu trabalho. Andar em Interlagos de Fórmula 1 é sensacional, minha primeira vez, mas foi especial. Nunca vou esquecer", avaliou o jovem piloto, que já conhecia o circuito dos tempos em que competia na Fórmula 3.
O desempenho do brasileiro foi elogiado pelo experiente chefe técnico da Lotus, Mike Gascoyne. "Ele fez um ótimo trabalho. Nós estamos bastante impressionados. Ele cometeu um erro na última curva e poderia ter sido meio segundo mais rápido, mas, apesar disso, ele fez um excelente trabalho", aprovou o dirigente.
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