Polícia investiga fraude em contratação de amistoso contra Portugal, em 2008
Festa custou R$ 9 milhões aos cofres do governo do Distrito Federal
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Doze policiais civis do Distrito Federal estiveram neste sábado no Rio para investigar fraudes na contratação de um amistoso da seleção brasileira contra Portugal, em novembro de 2008. A partida, vencida pelo Brasil por 6 a 2, aconteceu no Gama, cidade-satélite de Brasília.
A polícia esteve na capital fluminense para fazer uma busca na sede da empresa Ailanto Marketing, no Leblon. A empresa foi a organizadora da festa, que custou R$ 9 milhões ao governo do Distrito Federal.
De acordo com as investigações da polícia, a Ailanto iniciou suas atividades pouco mais de um mês antes da realização do amistoso. A polícia diz ainda que a empresa não possui sequer telefone fixo e tinha um capital social de apenas R$ 800.
A Ailanto é de propriedade do espanhol Sandro Rosell, ex-presidente do Barcelona e parceiro da CBF em uma série de operações. Durante a Copa América na Argentina, Rosell era figura fácil ao lado de Ricardo Teixeira.
Em julho deste ano, o jornal Folha de S.Paulo publicou reportagem relatando um negócio obscuro entre Teixeira, a empresa aérea TAM e Ailanto. Na transação, o presidente da CBF adquiriu um jato particular dando como parte do pagamento uma aeronave que não era sua - pertencia à Cessna, que representa a TAM no Brasil.
As autoridades policiais de Brasília têm provas de que a Ailanto teve permissão de Ricardo Teixeira, presidente da CBF, para negociar diretamente com o governo local. De acordo com a investigação, a procuradoria do Distrito Federal vetou o gasto público com o jogo. Documento mostrado neste sábado no Jornal Nacional, da TV Globo, mostra que a procuradoria considerou "imprestáveis" os motivos que justificavam o valor do evento.
Só que o então governador José Roberto Arruda ignorou a decisão. Em março de 2010, ele acabou cassado por envolvimento com o escândalo do mensalão do DEM de Brasília.
De acordo com outro documento mostrado pela TV Globo, a polícia afirmou que o amistoso causou um rombo de R$ 9 milhões aos cofres públicos. Segundo a polícia, as despesas de custeio do espetáculo - que eram de responsabilidade da Ailanto Marketing - foram pagas pela Federação Brasiliense de Futebol. O presidente da entidade, à época, era Fábio Simão - que foi também chefe de gabinete de José Roberto Arruda.
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