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Futebol Internacional

Portugal projeta demolição de estádios ociosos

Construídas para a Euro-2004, com boa parte de recursos públicos, arenas custam caro às prefeituras

05 de agosto de 2013 | 7h 55
JAMIL CHADE, Enviado especial - O Estado de S. Paulo

BRAGA - Um país que construiu mais sedes que eram exigidas, estádios com dinheiro público e, em alguns casos, em lugares sem um time de futebol. O relato poderia ser uma explicação sobre o comportamento do Brasil para a Copa de 2014. Mas, na realidade, é a situação de Portugal quando se preparou para sediar a Eurocopa de 2004.

Estádio Bessa está à venda: não há comprador - Reprodução
Reprodução
Estádio Bessa está à venda: não há comprador

Uma década depois de erguer novos estádios e receber pela primeira vez o milionário torneio europeu, Portugal descobre agora a fatura da falta de planejamento, da ambição de dirigentes esportivos e das promessas não cumpridas do futebol. Alguns dos estádios construídos para o evento de 2004 estão vazios e, diante da pior crise econômica de sua era democrática, prefeituras já quebradas estão tendo de socorrer os estádios. Já se fala inclusive na possibilidade de demolir alguns deles.

A Eurocopa 2004 foi realizada em meio a um sentimento de boom em Portugal. A Uefa não pediu. Mas os portugueses decidiram realizar o evento em oito cidades, com um total de dez estádios. Isso tudo para um torneio com apenas 16 times. Seis estádios eram públicos e, na época, consumiram 1,1 bilhão de euros.

Uma década depois, parte das prefeituras não sabe o que fazer com os estádios diante de uma crise que vem exigindo corte de gastos, demissão de milhares de funcionários, dedução de salários e de aposentadorias. Pior: alguns foram construídos onde nem sequer havia um time na Primeira ou na Segunda Divisão e hoje apenas acumulam prejuízos.

Apenas para pagar pelos juros dos empréstimos feitos nos bancos para as obras, seis cidades destinam todos os anos mais de 13 milhões de euros para bancar os custos dos estádios. Informes preparados pelas Câmaras Municipais das cidades envolvidas e obtidos pelo Estado revelam um cenário crítico.

As arenas, todas com uma capacidade para pelo 30 mil pessoas, estão vazias e não se sustentam. O caso de Leiria é o mais dramático. O time local, o modesto União de Leiria, teve um público médio de 868 pessoas por jogo na Segunda Divisão nos últimos anos e, no ano passado, caiu para a Terceira Divisão por causa de sua crise financeira. O resultado é que o time que tem um estádio “padrão Uefa” agora é amador.

O clube decidiu abandonar o estádio, alegando que os custos de jogar nele chega a ser maior que os salários que paga aos jogadores. Só em juros, 1,2 milhão de euros são necessários para que a prefeitura local pague aos bancos pelo empréstimo para erguer o estádio de 90 milhões de euros para 30 mil pessoas. Isso tudo numa cidade de apenas 70 mil habitantes.

SEM TIME
Outro caso crítico é do estádio Faro-Loulé, no Algarve, que custou mais de 60 milhões de euros. O local nem sequer tem um time. Na região, o Farense foi campeão da Terceira Divisão e o Louletano, da desconhecida Série D. Por dia, o estádio custa 10 mil euros às prefeituras de Loulé e Faro e os prejuízos se acumulam. Em 2007, a empresa que gerencia o estádio teve uma perda de quase 1 milhão de euros. Em 2013, o prejuízo deve superar 600 mil euros.

As autoridades tentaram usar o estádio para outros eventos. Mas, em crise, poucos estão dispostos a pagar pelo aluguel da arena. Desde 2004, as duas prefeituras já repassaram para a arena mais de 40 milhões de euros. A opção, no momento, tem sido a de usar algumas das áreas do estádio no Algarve para salas de aulas de um colégio público. Mesmo o estádio de Braga, cidade com um time de certa relevância nacional, vive uma grave crise. A manutenção da arena que custou 161 milhões de euros consome 10% do orçamento anual da Câmara Municipal da cidade, cerca de 1 milhão de euros.

Em Aveiro, o estádio municipal que custou 63 milhões de euros chegou a ser alvo de um estudo para que fosse demolido. O custo diário de sua manutenção chega a 9,4 mil de euros, considerando-se os juros pagos aos bancos pelo empréstimo para suas obras. Por causa do valor elevado, a Câmara Municipal chegou a debater sua destruição. Já a empresa de energia do país, EDP, chegou a cortar a luz do estádio por falta de pagamentos.

Enquanto o debate ganha dimensões de polemica, clubes descobrem que seus próprios campos ameaçam afundar os times. O caso mais dramático é do Estádio Bessa, no Porto, sede do time do Boavista. Diante da dívida do clube, as autoridades penhoraram o estádio usado na Eurocopa e exigem sua venda pelo valor mínimo de 28,3 milhões de euros. O problema é que não há comprador.

PADRÃO UEFA
Nos debates, parte dos políticos insiste que a culpa é da Uefa que, naqueles anos, exigia estádios de pelo menos 30 mil lugares. Na Suíça, representantes da confederação europeia confirmam que esse é o tamanho mínimo para um estádio. Mas insiste que não foi a Uefa que decidiu que seriam necessários dez estádios diferentes para sediar o torneio.

No ano 2000, por exemplo, o torneio foi realizado na Bélgica e Holanda e oito sedes foram usadas, quatro em cada país. Em 2008, o torneio seria compartilhado uma vez mais, agora entre suíços e austríacos. E, mesmo assim, o número de sedes não passou de oito. O mesmo número foi usado em 2012, na Polônia e Ucrânia.

Segundo a Uefa, a Eurocopa em Portugal foi a única a ter dez sedes desde que o torneio começou a ser disputado, há 50 anos, e essa foi uma decisão dos portugueses.


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