Preparação dos Jogos de 2016 já começa neste sábado
'A euforia precisa se transformar em trabalho', afirma o príncipe Albert, de Mônaco, sobre o papel do Brasil
Começa neste sábado, em Copenhague, a odisseia dos Jogos Olímpicos de 2016. Na primeira reunião de trabalho, o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, e o secretário-geral da candidatura do Rio, Carlos Osório, apresentarão os rascunhos da organização ao Comitê Olímpico Internacional (COI), a começar pelo cronograma de obras a serem realizados. Integrantes do COI de várias nacionalidades alertaram para a mesma coisa: a comemoração é válida, mas tem de se transformar logo em trabalho.

"A euforia precisa se transformar em trabalho", afirmou o príncipe Albert, de Mônaco, um dos integrantes do COI que votou nesta sexta-feira na eleição da sede olímpica de 2016. "Esperamos que o Brasil tenha aprendido com o que ocorreu em Atenas (em 2004). O País organizará os dois maiores eventos do mundo (a Copa será em 2014) e precisará se concentrar para isso", disse o monarca.
Outra preocupação que o COI terá nos próximos meses é a de garantir que a Copa de 2014 não atraia todas as atenções do País, fazendo com que os Jogos Olímpicos fiquem em um segundo plano. "Sabemos que o Brasil é louco por futebol e precisamos de garantias de que os Jogos também serão centrais para os planos do governo", afirmou Austin Sealy, outro membro da entidade.
Austin Sealy foi um dos que fez perguntas ao Rio durante a apresentação da cidade, nesta sexta-feira, antes da votação. "O Brasil precisa se preparar para sete anos de odisseia. Carlos Arthur Nuzman sabe o que lhe espera", afirmou o membro do COI.
Depois de participar da apresentação do Rio em Copenhague, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, garantiu que o governo sabe que "precisa ter os pés no chão". "O desafio é organizar o trabalho, ter uma cabeça centrada e passar a atuar. É isso que temos de fazer", afirmou.
A delegação brasileira se apressou em garantir que o trabalho vai começar imediatamente. "Não posso antecipar esse calendário hoje, mas teremos uma definição a partir de amanhã (sábado)", adiantou Carlos Osório. Num segundo passo, deve ocorrer em novembro a primeira visita dos executivos do COI ao Rio, que, a partir de então, não terá mais o status de candidata, mas de sede olímpica.
O primeiro prazo limite também já está fixado. Em cinco meses, o Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos do Rio 2016, o órgão brasileiro que responderá ao COI, deverá ser criado, desde sua estrutura física à sua personalidade jurídica. "Trata-se de um organograma que vai de duas pessoas, o Nuzman e eu, até quase cinco mil em 2016. É um processo de crescimento contínuo", explicou Carlos Osório.
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