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Protestos se espalham na África do Sul a 3 meses da Copa

10 de março de 2010 | 11h 13
Alison Raymond - Reuters

Moradores do subúrbio sul-africano de Soweto usaram grandes pedras para montar barricadas nas ruas nesta quarta-feira, em mais um protesto contra as condições de vida no país anfitrião da Copa do Mundo, que começa daqui a três meses e um dia.

De acordo com a polícia, cerca de mil pessoas fizeram uma manifestação por moradias nessa histórica e populosa "township" (periferia) próxima a Johanesburgo e ao próprio estádio Soccer City, cenário da abertura e da final da Copa.

"Os policiais foram ao local, conversaram com a multidão, e eles (os manifestantes) se dispersaram," disse a porta-voz policial Katlego Mogale. "A polícia está de olho na situação."

Em cenas que lembravam a época do apartheid, favelados queimaram pneus e edifícios em vários episódios no ano passado, enquanto a polícia reagia com balas de borracha e jatos de água.

Durante o regime de segregação racial na África do Sul, os protestos em Soweto fizeram desse bairro um símbolo de resistência.

Na semana passada, um policial foi baleado e várias pessoas foram detidas durante manifestações violentas em vários subúrbios de Johanesburgo.

Os protestos se espalharam, e nesta semana chegaram à capital, Pretória, onde manifestantes exigindo melhores casas, escolas, estradas e saneamento ameaçaram perturbar a realização da Copa.

Nthamaga Kgafela, pesquisadora do Instituto Sul-Africano para as Relações Raciais, disse que os protestos cresceram desde a eleição, no ano passado, do presidente Jacob Zuma, cuja imagem de amigo dos pobres gerava uma expectativa de mudanças.

"Acho que isso é primariamente porque as pessoas sentiam que havia alguém lá (no governo) para ouvir," disse ela.

Analistas dizem que os protestos podem pressionar o partido governista Congresso Nacional Africano (CNA) a atender às reivindicações populares antes das eleições municipais previstas para 2011, e que podem se tornar uma espécie de barômetro para o apoio popular a Zuma.

"Não há uma força específica por trás desses protestos, são só pessoas completamente fartas das suas condições de vida," disse o analista político Nel Marais, da consultoria Executive Research Associates.

"Se estes protestos não forem controlados a eleição do ano que vem pode se tornar um enorme pesadelo, do ponto de vista de segurança e do ponto de vista político," afirmou.

Dezenas de milhares de pessoas participaram de protestos antes da eleição municipal anterior, em 2006, vencida por ampla margem pelo CNA.



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