Troféu Brasil testa novas regras para o judô
Torneio que será realizado neste sábado e domingo, em Porto Alegre, terá algumas mudanças nas regras
O Troféu Brasil de judô, que será realizado neste sábado e domingo, em Porto Alegre, marca o reinício da temporada nacional após a Olimpíada de Pequim. O torneio, que reunirá 376 judocas de 73 clubes, mostrará aos atletas duas novidades: a diminuição no tempo do combate e a transferência do dia da pesagem, mudanças que a Federação Internacional de Judô (FIJ) pretende introduzir no esporte.
Acostumados a encarar a balança horas antes de entrar no tatame, os judocas terão o peso avaliado na véspera de cada luta. E os duelos passarão de cinco para quatro minutos. Essas novas regras serão colocadas em discussão pela FIJ em um congresso no mês que vem, na Tailândia, durante o Campeonato Mundial júnior.
Ney Wilson, coordenador-técnico da Confederação Brasileira de Judô (CBJ), explica que a diminuição do tempo de luta atende a pressão da mídia. "A FIJ pretende que os torneios sejam mais curtos, mais atraentes para cobertura da TV", explicou. "Um minuto parece pouco, mas se perde um quinto da luta. Precisaremos de novo planejamento e repensar os treinos."
Ney Wilson, contudo, não é favorável à mudança do dia da pesagem "Não sou adepto dessa idéia", admitiu o coordenador-técnico. "Acho que o atleta é diferente a cada dia e essa mudança pode motivar um exagero na perda de peso, trazendo até prejuízos para a saúde."
O gaúcho João Derly, bicampeão mundial da categoria meio-leve, não é contrário às mudanças. Pensa, inclusive, que a alteração na pesagem pode ajudar psicologicamente os judocas que enfrentam problemas na balança. "Muitos já perderam noites de sono pensando nisso", revelou.
Após breve descanso na volta de Pequim, João Derly decidiu retornar rapidamente às competições — luta a partir das 9h15 deste sábado. Ele admite que as novas regras devem ser facilmente aprovadas no congresso da FIJ e que a diminuição no tempo de combate trará dinamismo ao judô. "A diferença será grande", avisou. "Mas é questão de adaptação. Antes, a parte aeróbica era importante. Agora, vamos ter de treinar potência."
Outras propostas serão discutidas pela FIJ para mudar o esporte, como o fim do koka (a menor pontuação da luta) e um desestímulo às catadas de pernas, golpes muito utilizados por João Derly, mas considerados mais próximos da luta do que do judô tradicional.
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