Uruguaio gordinho ofusca goleada do Brasil no handebol
\"Hei Orlando cadê você, eu vim aqui só pra te ver\", repetia a torcida brasileira para o jogador
A seleção masculina de handebol
do Brasil teve uma semifinal tão tranquila contra o Uruguai, 28
x 16, que a torcida foi obrigada a escolher um outro tipo de
entretenimento. O jogo que garantiu ao Brasil ao menos uma
prata não servia como motivação suficiente para o final de
tarde no Rio. O público decidiu então torcer por Orlando
Buquet, 20 anos, 110kg, 1m69 de altura, que atua no centro do
ataque uruguaio, apesar do físico de lutador de sumô.
"De todos os jogadores que estão aqui sou o único que não
tenho pinta de atleta. Por isso gostaram de mim", disse o
jogador, que pratica handebol desde os 15 anos, é atleta amador
e arquiteto de profissão. "Hei Orlando cadê você, eu vim aqui
só pra te ver", repetia a torcida, que comemorou o único gol de
Orlando na partida com mais intensidade do que todos os 28 gols
de atletas brasileiros.
Os 15 minutos de fama de Orlando com a torcida brasileira
não foram ganhos sem competição. Além das estrelas do time
brasileiro, como o armador Bruno Souza, um dos três melhores do
mundo, estavam no ginásio o prefeito César Maia, o presidente
do comitê organizador e do COB Carlos Arthur Nuzman e o duplo
medalhista de ouro Diego Hypólito.
Nuzman ficou poucos minutos, Maia passou o tempo isolado
numa sala vip entretido com seu computador. Só o ginasta
conseguiu competir com Orlando. Vestido com o uniforme do
Flamengo, sem credencial, ele surgiu no intervalo cercado por
seguranças e assessores de imprensa. Estava lá só para mostrar
o patrocinador, parecia. Concedeu algumas entrevistas, posou
para fotos e quando estava atraindo muito movimento, partiu.
Os uruguaios saíram contentes com a derrota. "Aconteceu o
que deveria ter acontecido. Jogamos uma partida normal entre
times que representam estruturas completamente distintas. Os
brasileiros são jogadores profissionais enquanto nós jogamos
"amateur"(sic). O resultado também foi normal. Agora nós
precisamos nos preparar para ganhar a medalha de bronze, que é
o que nós viemos buscar aqui", disse Orlando.
Os brasileiros vieram buscar a medalha de ouro e segundo
seu melhor atleta estão prontos para enfrentar a Argentina,
seus maiores rivais, ou Cuba. "Na final não se escolhe
adversário. Tanto faz. Estamos prontos, o time vem evoluindo
bem", disse Bruno Souza.
Bruno está se recuperando de uma contusão no tornozelo e
por isso só jogou até agora poucos minutos contra Cuba e contra
o Uruguai. "Vou estar bem para a final. Meu tornozelo dói
depois de cada jogo. Para ganhar uma medalha no Pan, aqui no
Rio de janeiro, vale qualquer esforço", disse ele.
Bruno deveria ter sido o herói da semifinal mas como o jogo
era entre forças de escalas diferentes a sexta-feira do
handebol masculino acabou consagrando Orlando Buquet, o
gordinho uruguaio que agora é ídolo também no Brasil.
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