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Uruguaio gordinho ofusca goleada do Brasil no handebol

\"Hei Orlando cadê você, eu vim aqui só pra te ver\", repetia a torcida brasileira para o jogador

20 de julho de 2007 | 20h 04
Mario Andrada e Silva, da Reuters

A seleção masculina de handebol

do Brasil teve uma semifinal tão tranquila contra o Uruguai, 28

x 16, que a torcida foi obrigada a escolher um outro tipo de

entretenimento. O jogo que garantiu ao Brasil ao menos uma

prata não servia como motivação suficiente para o final de

tarde no Rio. O público decidiu então torcer por Orlando

Buquet, 20 anos, 110kg, 1m69 de altura, que atua no centro do

ataque uruguaio, apesar do físico de lutador de sumô.

"De todos os jogadores que estão aqui sou o único que não

tenho pinta de atleta. Por isso gostaram de mim", disse o

jogador, que pratica handebol desde os 15 anos, é atleta amador

e arquiteto de profissão. "Hei Orlando cadê você, eu vim aqui

só pra te ver", repetia a torcida, que comemorou o único gol de

Orlando na partida com mais intensidade do que todos os 28 gols

de atletas brasileiros.

Os 15 minutos de fama de Orlando com a torcida brasileira

não foram ganhos sem competição. Além das estrelas do time

brasileiro, como o armador Bruno Souza, um dos três melhores do

mundo, estavam no ginásio o prefeito César Maia, o presidente

do comitê organizador e do COB Carlos Arthur Nuzman e o duplo

medalhista de ouro Diego Hypólito.

Nuzman ficou poucos minutos, Maia passou o tempo isolado

numa sala vip entretido com seu computador. Só o ginasta

conseguiu competir com Orlando. Vestido com o uniforme do

Flamengo, sem credencial, ele surgiu no intervalo cercado por

seguranças e assessores de imprensa. Estava lá só para mostrar

o patrocinador, parecia. Concedeu algumas entrevistas, posou

para fotos e quando estava atraindo muito movimento, partiu.

Os uruguaios saíram contentes com a derrota. "Aconteceu o

que deveria ter acontecido. Jogamos uma partida normal entre

times que representam estruturas completamente distintas. Os

brasileiros são jogadores profissionais enquanto nós jogamos

"amateur"(sic). O resultado também foi normal. Agora nós

precisamos nos preparar para ganhar a medalha de bronze, que é

o que nós viemos buscar aqui", disse Orlando.

Os brasileiros vieram buscar a medalha de ouro e segundo

seu melhor atleta estão prontos para enfrentar a Argentina,

seus maiores rivais, ou Cuba. "Na final não se escolhe

adversário. Tanto faz. Estamos prontos, o time vem evoluindo

bem", disse Bruno Souza.

Bruno está se recuperando de uma contusão no tornozelo e

por isso só jogou até agora poucos minutos contra Cuba e contra

o Uruguai. "Vou estar bem para a final. Meu tornozelo dói

depois de cada jogo. Para ganhar uma medalha no Pan, aqui no

Rio de janeiro, vale qualquer esforço", disse ele.

Bruno deveria ter sido o herói da semifinal mas como o jogo

era entre forças de escalas diferentes a sexta-feira do

handebol masculino acabou consagrando Orlando Buquet, o

gordinho uruguaio que agora é ídolo também no Brasil.



Tópicos: Pan 2007, Handebol

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